sábado, 6 de fevereiro de 2010

Adoração na Sala do Trono

Jesus Cristo, nosso Senhor, disse: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.23). Um dos fatos mais admiráveis a respeito de Deus é que Ele está procurando pessoas para adorarem seu Filho, Jesus Cristo.

Se você já se tornou um crente, um dos propósitos primários de sua salvação é que você adore com alegria o Filho de Deus. Na vida cristã, não existe nada mais importante do que isso. Mas, infelizmente, encontramos poucos crentes que entendem a natureza espiritual da adoração e que praticam essa adoração. Nesta altura, devemos perguntar a nós mesmos: existe um verdadeiro espírito de adoração em nossa igreja e em nosso coração?

APRESENÇA DE CRISTO

A. W. Tozer escreveu: “Hoje existem milhões de pessoas que mantêm opiniões corretas, talvez mais do que antes na história da igreja. Contudo, pergunto-me se já houve um tempo quando a verdadeira adoração espiritual esteve em nível tão baixo. Para grandes alas da igreja, a adoração se perdeu completamente, e seu lugar foi ocupado por aquela coisa estranha chamada ‘programa’. Esta palavra foi emprestada do teatro e aplicada com péssima sabedoria ao tipo de adoração pública que agora passa por adoração entre nós”. A adoração bíblica e espiritual é o anelo da alma para ver a glória e a beleza de Jesus Cristo. Quando os adoradores vêem a Cristo, têm o gozo de experimentar a presença dEle.

A adoração está em seu ápice quando nossa alma se perde em admiração da glória e majestade de Deus. Muito do que passa hoje por adoração não produz isso. Os cultos vazios e superficiais que caracterizam a geração atual não produzem nem adoradores verdadeiros nem grandes homens de Deus.

ENTENDENDO A ADORAÇÃO BÍBLICA

Para entendermos a adoração bíblica e compreendermos exatamente o que Deus, o Pai, está buscando de nós, precisamos examinar a adoração em seu nível mais puro. Quando consideramos as Escrituras, encontramos muitos exemplos de pessoas que adoraram a Deus. No entanto, a figura mais sublime e evidente é a que João retrata no livro de Apocalipse.

Nos capítulos 4 e 5, o Senhor abre a cortina e nos permite vislumbrar o que eu chamo de “adoração na sala do trono”. Nestes dois capítulos, vemos realmente um culto de adoração realizando-se no céu, na sala do trono de Deus. Se temos de adorar a Deus biblicamente, devemos estar certos de que nossa adoração na terra reflete o exemplo e a direção da adoração celestial.

Há muitas lições nestes capítulos, mas neste artigo podemos considerar apenas a primeira dessas lições, ou seja, a adoração espiritual está centralizada em Deus.

ADORAÇÃO CENTRALIZADA EM DEUS

Quando João vislumbra o culto de adoração no céu, ele diz: “Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado” (Ap 4.2). Bem no início, observamos que Deus está no centro da adoração espiritual. Nosso foco e atenção são direcionados imediatamente para Ele. A adoração centralizada em Deus significa apenas que a glória, a honra, a majestade e a vontade de Deus são a prioridade em nossos pensamentos e desejos.

Em nossos dias, a adoração está muito freqüentemente centralizada no homem e não em Deus. Todavia, meu desejo e oração é que a igreja de Cristo descubra novamente a verdadeira adoração — que a igreja redescubra e volte-se à adoração bíblica na sala do trono. A. W. Tozer escreveu: “A história da humanidade provavelmente mostrará que nenhuma pessoa jamais foi maior do que sua religião; e a história espiritual do homem demonstrará positivamente que nenhuma religião tem sido maior do que a sua idéia a respeito de Deus. A adoração é pura ou ignominiosa à medida que o adorador nutre pensamentos sublimes ou medíocres a respeito de Deus. Por esta razão, o assunto mais solene diante da igreja é sempre Deus mesmo, e o fato mais portentoso sobre o homem não é o que ele... pode dizer ou fazer, e sim o que ele, no âmago de sua alma, percebe sobre a natureza de Deus.”


Robert L. Dickie

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Examinando Nosso Arrependimento

Examinando Nosso Arrependimento


Se alguém diz que se arrependeu, desejo que examine-se a si mesmo, seriamente, por meio dos sete... efeitos do arrependimento delineados pelo apóstolo em 2 Coríntios 7.11.
 
1. Cuidado. A palavra grega significa uma diligência intensa ou um esquivar-se atento de todas as tentações ao pecado. O homem verdadeiramente arrependido foge do pecado como Moisés fugiu da serpente.

2. Defesa. A palavra grega é apologia. O sentido é este: embora tenhamos muito cuidado, podemos cair no pecado devido à força da tentação. Ora, nesse caso, o crente arrependido não deixa o pecado supurar em sua alma; antes, julga a si mesmo por causa de seu pecado. Derrama lágrimas perante o Senhor. Clama por misericórdia em nome de Cristo e não O deixa, enquanto não obtém o seu perdão. Assim, em sua consciência, ele é defendido da culpa e se torna capaz de criar uma apologia para si mesmo contra Satanás.

3. Indignação. Aquele que se arrepende levanta o seu espírito contra o pecado, assim como o sangue de alguém sobe quando ele vê um indivíduo a quem odeia mortalmente. A indignação significa ficar importunado no coração por causa do pecado. O penitente sente-se inquieto consigo mesmo. Davi chamou a si mesmo de “ignorante” e “irracional” (Sl 73.22). Agradamos mais a Deus quando arrazoamos com nossa alma por conta do pecado.

4. Temor. Um coração sensível é sempre um coração que teme. O penitente sentiu a amargura do pecado. Este vespa o ferrou, e agora, tendo esperança de que Deus está reconciliado, ele teme se aproximar novamente do pecado. A alma penitente está cheia de temor. Tem medo de perder o favor de Deus, que é melhor do que a vida, e receia que, por falta de diligência, fique aquém da salvação. A alma penitente teme que, depois de amolecido o seu coração, as águas do arrependimento sejam congeladas, e ela seja endurecida no pecado novamente. “Feliz o homem constante no temor de Deus” (Pv 28.14)... Uma pessoa que se arrependeu teme e não peca; uma pessoa que não tem a graça de Deus peca e não teme.

5. Desejo intenso. Assim como o bom tempero estimula o apetite, assim também as ervas amargas do arrependimento estimulam o desejo. O que o penitente deseja? Ele deseja mais poder contra o pecado, bem como ser livre deste. É verdade que ele está livre de Satanás; mas anda como um prisioneiro que escapou da prisão com algemas nas pernas. Ele não pode andar com liberdade e destreza nos caminhos de Deus. Deseja, portanto, que as algemas do pecado sejam removidas. Ele quer ser livre da corrupção. Clama nas mesmas palavras de Paulo: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Em resumo, ele deseja estar com Cristo, assim como tudo deseja estar em seu devido lugar.

6. Zelo. Desejo e zelo são colocados lado a lado a fim de mostrar que o verdadeiro desejo se manifesta em esforço zeloso. Oh! como o crente arrependido se estimula nas coisas pertinentes à salvação! Como se empenha para tomar por esforço o reino de Deus (Mt 11.12)! O zelo incita a busca pela glória. Ao se deparar com dificuldades, o zelo é encorajado pela oposição e sobrepuja o perigo. O zelo faz o crente arrependido persistir na tristeza santa mesmo diante de todos os desencorajamentos e oposições. O zelo desprende o crente de si mesmo e leva-o a buscar a glória de Deus. Paulo, antes de sua conversão, era enfurecido contra os santos (At 26.11). Depois da conversão, ele foi considerado louco por amor a Cristo: “As muitas letras te fazem delirar!” (At 26.24). Paulo tinha zelo e não delírio. O zelo causa fervor na vida espiritual, que é como fogo para o sacrifício (Rm 12.11). O zelo é um estímulo para o dever, assim como o temor é um freio para o pecado.

7. Vindita. Um crente verdadeiramente arrependido persegue os seus pecados com uma malignidade santa. Busca a morte dos pecados como Sansão queria vingar-se dos filisteus pelos seus dois olhos. O crente arrependido age com seus pecados da mesma maneira como os judeus agiram com Cristo. Ele lhes dá fel e vinagre para beberem. Crucifica as suas concupiscências (Gl 5.24). Um verdadeiro filho de Deus busca a ruína daqueles pecados que mais desonram a Deus... Com o pecado, Davi contaminou o seu leito; depois, pelo arrependimento, ele inundou seu leito com lágrimas. Os israelitas pecaram pela idolatria e, posteriormente, viram como desgraça os seus ídolos: “E terás por contaminados a prata que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas imagens de fundição” (Is 30.22)... As mulheres israelitas que haviam se vestido à moda da época e, por orgulho, tinham abusado do uso de seus espelhos ofereceram-nos depois, tanto por zelo como por vingança, para o serviço do tabernáculo de Deus (Êx 38.8). Com o mesmo sentimento, os mágicos... quando se arrependeram, trouxeram seus livros e, por vindita, queimaram-nos (At 19.19).

Estes são os benditos frutos e resultados do arrependimento. Se os acharmos em nossa alma, chegamos àquele arrependimento do qual nos arrependeremos (2 Co 7.10).

Thomas Watson


Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.
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Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.
Traduzido por: Wellington FerreiraCopyright© Editora FIEL 2009.

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