sábado, 1 de agosto de 2015

As Crianças e o Amor Próprio

Por Alex Mello*

As crianças da atual geração desde muito cedo têm de lidar com questões relacionadas à autoestima, ao egoísmo e ao amor-próprio.

De modo geral, muito da atual arte de criar filhos está embasada na ideia da psicologia moderna de que a autoestima é a chave do sucesso. Influenciados principalmente pelo livro The psychology of Self-esteem, de 1969, do psicoterapeuta canadense Nathaniel Branden, a atual geração de pais faz todo o esforço possível para que seus filhos tenham a melhor imagem de si mesmos. Fato é que, segundo pesquisadores da atualidade, como o professor Roy Baumeister, da Universidade Estadual da Flórida, existem poucas e fracas evidências científicas que mostram que a alta auto-estima gera sucesso profissional ou escolar. 1

Num sentido diametralmente oposto, Jay Adams afirma que crianças estimuladas ao amor-próprio são expostas a uma ênfase que pode ser devastadora para a educação cristã. 2

Crianças centradas em seus próprios desejos e que vêem seus pais como meros instrumentos para atingirem seus objetivos egoístas certamente apresentarão frutos pecaminosos.

O estímulo a auto-estima na infância tem gerado dois tipos de adultos: Ou arrogantes e amantes de si mesmos, se conseguirem satisfazer seu “eu” ou frustrados, cheios de baixa autoestima e autocomiseração, se não tiverem seus desejos atendidos.
Tanto pessoas arrogantes, amantes de si mesmo e orgulhosas, como seu oposto, pessoas que se autocomiseram e possuem uma baixa autoestima, sofrem do mesmo mal, o egoísmo. Amam mais a si do que a Deus e ao próximo.

A criança nos seus primeiros dias de vida ainda não tem uma ideia do mundo em que vive. Esta criança é naturalmente egocêntrica, pensa que o mundo gira em torno dela. Quando vai crescendo e começa a ter noção da dimensão do mundo a criança começa a manifestar a idolatria do seu eu, que é seu centro natural devido ao pecado original. O egoísmo desta criança faz com que ela tenha prazer em estar no centro, se não do mundo, pelo menos da família.

Infelizmente em nosso tempo podemos observar pais que permitem e até conduzem seus filhos a ocuparem uma posição central na família. Estes pais permitem que a agenda familiar seja estabelecida pelos filhos e não pelo relacionamento prioritário de esposo e esposa. Lou Priolo destaca que um lar cujo centro são os filhos, é um lar em que a criança acredita que tem a permissão de se comportar como se a casa toda, pais e irmãos existissem só para agradá-la. 3
Priolo nos ajuda ainda a identificar um lar em que o centro são os filhos. Neste lar os pais permitem que os filhos cometam os seguintes atos:
  • Interromper os adultos quando estão conversando.
  • Manipular e usar de rebeldia para conseguir o que querem.
  • Ditar o horário da família (incluindo as refeições e hora de ir para cama)
  • Ter prioridade sobre o cônjuge.
  • Ter voto igual ou superior nas decisões familiares.
  • Exigir tempo e atenção excessivo dos pais.
  • Escapar das consequências de seu comportamento pecaminoso.
  • Falar de igual para igual com os pais.
  • Ser afagado quando estiver de mau humor.
Priolo continua afirmando que crianças criadas num lar em que são o centro crescerão achando que a sociedade deve a eles um meio de vida. Colocar a criança no centro é um pecado que os pais cometem esquecendo-se de que seus filhos, que também são pecadores, usarão este fato para desenvolver padrões pecaminosos.

Como conselheiros bíblicos devemos ao trabalhar com famílias centradas nos filhos mostrar-lhes a hierarquia bíblica de relacionamentos, onde o relacionamento marido-esposa é prioritário e os filhos devem viver em obediência aos pais.

Os pais devem ser encorajados a oferecem a seus filhos aquilo que precisam para crescer saudáveis espiritual e fisicamente e não aquilo que desejam, mostrando-lhes que os desejos de seus corações podem ser pecaminosos e contrários a vontade de Deus.

O princípio bíblico é de que não devemos pensar de nós mesmos além do que convém, mas devemos pensar com moderação, de acordo com aquilo que Deus nos concedeu (Rm 12.3) seguindo sempre o exemplo da humildade de Cristo que nos compele a considerarmos os outros superiores a nós mesmos e não termos em vista aquilo que é propriamente nosso, mas também os interesses dos outros. (Fp 2.3-8)
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1. GUIMARÃES, Camila e KARAM, Luiza. A Turma do “Eu me Acho”. Revista Época, São Paulo, n. 739, p. 60-67, 2012.
2. ADAMS, Jay E.. Autoestima Uma perspectiva bíblica. São Paulo: ABCB, 2007. p.117.
3. PRIOLO, Lou. O coração da ira. São Paulo: NUTRA, 2009. p.30


* Alex Mello é Mestre em Ministérios Familiares pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e Membro da Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos (ABCB). Serve como pastor na Igreja Batista da Fé em São José dos Campos.

Fonte: http://abcb.org.br/artigos/as-criancas-e-o-amor-proprio

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