sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Música




Música


Ora, por que escrevemos sobre “Música”? Por que não usamos uma terminologia mais santificada e o chamamos de “adoração”? Afinal de contas, é comum hoje falarmos em música, cânticos e adoração como palavras intercambiáveis. Primeiramente, adoramos. Depois, ouvimos o sermão.

Queremos desafiar essa suposição. A música no contexto do ajuntamento da igreja é somente um subconjunto da adoração corporativa. Ouvir a pregação da Palavra de Deus é uma das maneiras mais importantes de adorarmos juntos a Deus. De fato, é a única maneira pela qual podemos aprender como adorá-Lo de modo aceitável.1 Orar a Palavra de Deus, ouvi-la em público e vê-la nas ordenanças também são aspectos importantes da adoração. Contudo, falando de modo mais amplo, a adoração é uma vida completamente orientada no sentido de envolver-se com Deus, nos termos que Ele propõe e das maneiras que Ele provê.2 Nosso culto racional, a adoração exposta no Novo Testamento, consiste em oferecer a Deus todo o nosso ser como sacrifício vivo, santo e agradável a Ele (Rm 12.1-2; cf. também 1Co 10.31; Cl 3.17). Portanto, a música é um subconjunto da adoração que envolve toda a nossa vida.


Esta reflexão nos lembra que nossa audiência, na adoração corporativa, não são as pessoas. A adoração corporativa não consiste em agradar as pessoas, quer a nós mesmos, quer a congregação, quer os incrédulos interessados. A adoração no ajuntamento coletivo é uma renovação de nossa aliança com Deus, por nos encontrarmos e nos relacionarmos com Ele nos termos que Ele prescreveu.4 Fazemos isso de modo específico ao ouvirmos a sua Palavra e atentarmos a ela, confessando nossa pecaminosidade e dependência dEle, agradecendo-Lhe por sua bondade para conosco, apresentando-Lhe nossos pedidos, confessando a sua verdade e erguendo-Lhe nossa voz e instrumentos em resposta e de acordo com a maneira como Ele se revela em sua Palavra.5



Com esse pano de fundo, eis algumas sugestões práticas que podem nos ajudar a glorificar a Deus e edificar uns aos outros no que concerne à música na adoração corporativa.

O canto congregacional

Cantar o evangelho juntos, como uma igreja integrada, forja a unidade em torno da doutrina e prática distintivamente cristãs. Nossas canções congregacionais funcionam como credos devocionais. Elas nos dão linguagem e oportunidade de encorajar uns aos outros na Palavra e convocar uns aos outros a louvar nosso único Salvador. Uma das funções mais importantes do canto congregacional é que ele ressalta a natureza corporativa da igreja e do ministério mútuo que nos edifica na unidade. Uma das razões por que nos reunimos todas as semanas é nos recordarmos que não estamos sozinhos em nossa confissão de Jesus Cristo e nossa convicção das verdades espirituais que sustentamos com tanta apreciação.



Que bênção é ouvir todos os membros da igreja cantando juntos, com todo o seu coração. Quando ouvimos os outros cantando as mesmas palavras, todos juntos, tanto há uma melodia comum como uma harmonia diversa que expressa a unidade e a diversidade do corpo da igreja local, de um modo que nos estimula a prosseguirmos juntos. Em nossa cultura excessivamente egoísta, o canto congregacional é um dos meios mais visíveis que estimulam uma ênfase especificamente corporativa em nossa adoração e vida como igreja local.

Outra função importante do canto congregacional é que ele ressalta a natureza participativa da adoração por meio da música. De um modo geral, a adoração é algo que não podemos fazer como espectadores. Romanos 12.1-2 retrata a adoração como algo ativo. Também é interessante observar que não temos nenhum exemplo de coros de igreja no Novo Testamento — a Bíblia nunca apresenta os crentes do Novo Testamento realizando uma adoração musical em que alguns crentes representavam os demais, por meio do canto realizado por uma pessoa ou um grupo. Pelo contrário, a adoração por meio da música é participativa — toda a igreja participa corporativamente da adoração a Deus, com um só coração e voz.

A Bíblia certamente nos convida a ouvir a Palavra de Deus e a responder-lhe. Mas esse tipo de ouvir é uma resposta específica a um método de comunicação ordenado por Deus — a pregação. No que diz respeito à adoração na forma de música, a Bíblia nos mostra os crentes se envolvendo, eles mesmos, em adoração — todos juntos. Isto não significa que solos e músicas especiais são necessariamente errados. Também não estamos negando que solos e músicas especiais podem comover espiritualmente aqueles que os ouvem. A questão é que tipo de adoração musical corporativa é apresentada como modelo no Novo Testamento e o que afirmamos sobre a adoração musical coletiva, se muitas de nossas canções são tocadas e cantadas por poucos, e não são todos que participam delas.

Uma dieta regular de apresentações de solistas e coros pode até causar o efeito involuntário de prejudicar a natureza participativa e corporativa de nossa música. As pessoas podem vir, gradualmente, a pensar na adoração em termos de observação passiva; e esse não é um modelo apresentado no Novo Testamento. Essa dieta pode também começar a obscurecer a linha de separação entre adoração e entretenimento, especialmente numa cultura encharcada por televisão como a nossa, na qual uma das mais insidiosas expectativas é ser entretido. É claro que esse obscurecimento não é algo proposital. Mas, no decorrer do tempo, o separar os “músicos, solistas ou coristas” do restante da congregação pode mudar sutilmente o foco de nossa atenção, de Deus para os músicos e seus talentos. E essa mudança é revelada por meio do aplaudir no final de uma apresentação. Quem é o beneficiário dos aplausos?

Se o que fazemos aos domingos de manhã é o culto público, então faz todo sentido que devemos ter preferência deliberada pelo canto congregacional — o canto que envolve a participação ativa de toda a congregação.

Quando cantamos juntos louvores a Deus, estamos reconhecendo a natureza corporativa da vida confessional da igreja. Ou seja, estamos afirmando corporativamente que confessamos a doutrina cristã e experimentamos a vida cristã junto com a nossa comunidade da aliança. Portanto, o canto congregacional é aplicável tanto ao aspecto corporativo como ao participativo de nossa adoração coletiva regular. Ele nos mantém afastados da armadilha do entretenimento por envolver todo os cristãos no louvor ativo a Deus, respondendo vocalmente à sua bondade e graça, com louvor e ação de graças audíveis.

Bem, agora que sugerimos o canto congregacional como uma implicação da adoração corporativa na forma de música, seria proveitoso recordar três diretrizes para o canto congregacional.

Público, e não privativo.

Muitos líderes de louvor encorajam os membros (por palavras ou por atos) a fecharem os olhos em busca de uma intimidade emocional com Deus, no contexto da reunião corporativa. Ora, ninguém que tenha bom senso argumentaria que fechar os olhos durante a adoração corporativa é errado. E muitos fecham os olhos durante a adoração corporativa apenas para assimilar mais plenamente o som da canção. Mas estamos errados ao encorajar as pessoas a pensarem na adoração corporativa em termos de nos fecharmos para o restante da igreja e desfrutarmos de uma experiência emocional privativa com Deus.

Participei de um culto em que o líder de louvor começou a chorar de modo incontrolável na plataforma, depois de liderar uma canção. Isso foi um exemplo saudável de quebrantamento? Talvez. Não tenho dúvida de que ele tencionava que fosse. Não estamos questionando a pureza de seu coração, e sim a sabedoria de seu comportamento público. Por meio de seu exemplo, ele estava ensinando às pessoas que a experiência emocional privativa, embora realizada em frente de toda a igreja, é a expressão final da adoração (corporativa). Isso não é verdade, de modo nenhum!

O canto congregacional é uma expressão de unidade e harmonia da congregação reunida. Tornar privativa a adoração corporativa destrói este o propósito desta e confunde a verdadeira adoração com a emoção particular. A reunião de adoração coletiva é pública; devemos experimentá-la cientes de que somos um corpo. Muito do poder de edificação do canto congregacional procede realmente de desfrutarmos a presença de nossos irmãos adoradores. Se isso não fosse verdade, por que outra razão nos ajuntaríamos? Logo, é melhor não tornarmos privativo aquilo que Deus determinou que seria público.

Deve ser teologicamente rico.

Em sua Palavra, Deus nos deu tantas coisas sobre as quais devemos nos sentir encorajados! Devemos usar o rico estoque das Escrituras para nos dar boas palavras para falarmos em nosso louvor a Deus, para recordar-nos as perfeições de seu caráter e a suficiência da obra de Cristo. Queremos cantar canções que elevem nosso ponto vista sobre Deus, que O apresentem em toda a sua graça e glória. Queremos entoar canções repletas de teologia que nos façam pensar sobre as profundezas do caráter de Deus, as nuanças de sua graça e as implicações de seu evangelho; que nos ensinam a doutrina bíblica que salva e transforma. No aspecto negativo, queremos evitar canções que nos estimulam a pensar sobre a nossa própria experiência emocional subjetiva, mais do que sobre as verdades objetivas do caráter de Deus e as implicações da cruz. Também queremos evitar repetições desnecessárias de frases proferidas à semelhança de mantras, como se o procurar um ápice emocional fosse a mais pura forma de adoração.


Observe a seguinte letra:


Quem é Este, na manjedoura,
A cujos pés os pastores caem?
Quem é Este, em profunda aflição,
Está jejuando no deserto?


É o Senhor! Maravilhosa história!
É o Senhor! O Rei da glória!
Humildes, a seus pés nos curvamos,
Corai-O! Coroai-O, Senhor de todos!


Quem é Este que pessoas bendizem
Por suas palavras de amabilidade?
Quem é Este ao qual são trazidos
Todos os enfermos e entristecidos?


Quem é Este que está de pé e chora
Ante o sepulcro onde Lázaro dorme?
Quem é Este que a multidão reunida
Saúda com canto vibrante e triunfal?


Oh! À meia-noite, quem é Este
Que ora no escuro Getsêmani?
Quem é Este que naquela cruz
Morre em aflição e agonia?


Quem é Este que do sepulcro
Vem para curar, ajudar e salvar?
Quem é Este que de seu trono
Governa sozinho todo o mundo?


Este hino inclui referência somente a uma Pessoa. Mas, no coro há uma referência ao plural (nos curvamos); e isso diz respeito a nossa adoração a Deus, reconhecendo o seu caráter como Rei.8 Todo o hino se centraliza em Deus, na pessoa de Cristo. E deve ser observado o senso de movimento e progresso — a letra nos leva da manjedoura ao trono de Cristo. É uma história musical e meditativa sobre a vida de Cristo, uma história que nos inspira a adorá-Lo como Ele é apresentado na Bíblia. E a música é meditativa, complementando a natureza reverente da letra. Esses são os sinais característicos de boas canções de adoração, sejam hinos, sejam cânticos: exatidão bíblica, centralidade em Deus, progressão histórica e/ou teológica, ausência de pronomes na primeira pessoa do singular e música que complementa o tom da letra.



Deve ser espiritualmente encorajador.

O resultado da riqueza teológica sempre será exatidão crescente na adoração a Deus, conforme Ele realmente é; essa exatidão, por sua vez, resultará em contínuo encorajamento espiritual para nós. Nossa esperança está no caráter de Deus e na verdade de seu evangelho! Na adoração musical corporativa, somos chamados a ensinar uns aos outros a louvar a Deus por seu glorioso caráter e suas obras. Estamos expressando de modo audível a unidade e a harmonia da igreja, bem como a natureza corporativa da vida cristã confessional.9 Estamos encorajando uns aos outros, por meio do vigor de nossa voz, afirmando que não estamos sozinhos em nossa confissão e que todos os outros que cantam estão afirmando a verdade e a importância das palavras cantadas. Quanto mais pessoas houver, melhor será! Esse tipo de canto congregacional é um encorajamento para a nossa alma, recordando-nos a comunhão e a unidade nas verdades que cantamos. O que desejamos estimular nos outros é uma prioridade e uma ênfase concernentes ao canto congregacional, tanto em unidade como em harmonia, de modo que Deus seja honrado por nossa participação ativa e corporativa na adoração musical, e nós ouçamos uns aos outros, e sejamos edificados.


Mark Dever.


Mark Dever é pastor da Igreja Batista de Capitol Hill, no distrito de Washington; fundador do ministério 9Marcas e um dos organizadores do ministério Juntos Pelo Evangelho; conferencista internacional e autor de vários livros, incluindo os livros “Nove Marcas de Uma Igreja Saudável”,”Refletindo a Glória de Deus” e “Deliberadamente Igreja”, todos publicados em português pela Editora FIEL.









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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os Meios de Adoração


Os Meios de Adoração


Dizem que o inventor da lâmpada elétrica fez centenas de tentativas até achar o material mais adequado para se usar no seu invento. A lâmpada elétrica só pode funcionar quando o meio adequado de produzir luz foi encontrado.

Algumas pessoas aprecem compartilhar a idéia errada de que Deus pode ser adorado por qualquer meio. Para estas pessoas, o que importa é o conteúdo e não o meio. Deste modo, qualquer ato, qualquer manifestação artística e qualquer procedimento pode adorar Deus.

Isto não é verdade! As Escrituras deixam claro que Deus se importa com o meio utilizado pelo adorador para se chegar a ele. O que percebemos das informações bíblicas é que quando o homem não utiliza os meio adequados para adorar Deus, Deus não aceita aquele tipo de adoração.

Estamos meditando no tema “Deus procura verdadeiros adoradores”. Ontem falamos que adorar é reconhecer a superioridade do Deus Santo e prestar um serviço como um empregado serve a seu patrão. Hoje vamos compartilhar alguns meios encontrados nas Escrituras de adorarmos Deus.

Deus se agrada de nossa adoração quando ela é realizada pelos meios revelados nas Escrituras. Existem muitos meios. Vamos compartilhar três meios pelos quais Deus pode ser adorado.

I. Adoramos Deus através de súplicas humildes.

a) Houve uma mulher no tempo da chegada do Senhor Jesus Cristo ao mundo que adorava a Deus, fazendo súplicas e jejuns constantes no Templo do Senhor (Lucas 2.36-38).

i) Ana era profetisa.

ii) Sua linhagem poderia ser facilmente traçada, o que indica um zelo desta mulher em se alinhar com as promessas de Deus feitas ao seu povo.

iii) Livre das obrigações de seu lar enquanto dona de casa e mãe, Ana se dedicava com mais concentração ao Senhor, como escreveu o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 7.32-35.

iv) Ana adorava noite e dia com orações e jejuns. Suas orações eram constantes diante de Deus, sendo acompanhadas da prática do jejum.

v) Esta piedade fez com que Ana estivesse pronta para receber o seu Rei.

(1) Ela podia dar graças e compartilhar que a redenção de Israel que muitos estavam esperando já havia chegado.

(2) Aquelas súplicas regadas pela tristeza e aflição de alma dos jejuns foram transformadas na alegria das ações de graças e do evangelismo.

b) Quando Cristo estava realizando seu ministério, pessoas se dirigiam a ele em adoração, pedindo que Jesus lhes fizesse um ato de amor e misericórdia (Mateus 8.2; 15.25).

i) Jesus nunca rejeitou esta adoração, porque a adoração é sempre apropriada a Deus. Jesus é o próprio Deus encarnado, cheio de graça e de verdade.

ii) Deus é adorado quando estamos em aperto e clamamos pela misericórdia divina, suplicando que ele nos livre e nos conceda uma cura.

c) Pensamos que adorar é apenas cantar louvores festivos a Deus, estando empolgados e felizes pelas coisas que ele nos fez.

i) Certamente Deus foi adorado quando Israel realizou aquelas grandes celebrações nacionais no auge do seu rei sob o cetro de Davi e Salomão.

ii) Foi também adoração rendida a Deus quando Jeremias entoou uma lamentação por causa da destruição de Jerusalém e do Templo, confessando ali os pecados da nação e se lembrando das misericórdias de Deus.

iii) Pode haver adoração no riso dos que estão felizes e pode haver adoração no pranto dos contristados.

iv) Devemos chegar a maturidade de adorar Deus em todas as ocasiões que Ele nos conceder.

(1) Se Deus nos conceder tristeza, escassez, dificuldades e derrota, a modo apropriado de adoração será o clamor, a petição insistente, a oração e o jejum.

(2) Se Deus nos conceder alegria, fartura, facilidade e vitória, o modo apropriado de adorá-lo é o cântico alegre, as ações de graças, as celebrações e o evangelismo.

(3) É o que nos mostra com clareza o irmão do Senhor (Tiago 5.13-16).

v) Temos a terrível tendência de não dar graças a Deus quando estamos felizes e de não orar quando estamos tristes. Tanto a ingratidão quanto a auto-suficiência são incompatíveis com a adoração, são pecados que devem ser confessados e vícios de que nós precisamos de desintoxicação.

d) Na última aula, vimos que podemos adorar Deus por meio de ofertas de valor e podemos adorar Deus por meio de gestos respeitosos. Hoje vimos que podemos adorar Deus através de súplicas humildes. Vejamos outro meio de adoração.

II. Adoramos Deus por meio de cânticos de louvor (Apocalipse 5.6-10).

a) A cena apresentada pelo apóstolo João é grandemente impressionante.

i) Ele viu na mão direita daquele que estava assentado no trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos, que uma vez aberto, desencadearia todos os eventos do juízo final.

ii) Um anjo clamou em alta voz: “Que é digno de abrir o livro e desatar-lhe os selos?”.

iii) O livro e o seu conteúdo era tão importante que aquele que estava assentado no trono não podia abrir, os seres viventes não podiam abrir, os vinte e quatro anciãos não podiam abrir, nenhum dos anjos podia abrir nem mesmo qualquer outra criatura que havia sobre a terra.

iv) Entendendo a importância daquele livro e da impossibilidade de ser aberto, João chorava muito.

v) Até que o discípulo amado foi consolado por um dos anciãos que disse: “Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e seus sete selos”.

vi) Neste ponto, João vê o Cordeiro de Deus que se aproxima do trono, toma do livro e é digno de abrir-lhe os selos.

b) Este Cordeiro possui uma aparência especial:

i) É um Cordeiro que tem a aparência de ter sido morto.

(1) A humilhação do Senhor Jesus Cristo é a obra realizada por Cristo que o torna digno de julgar o mundo e restabelecer a paz eterna.

(2) Ele passou pela morte para que o perdão dos pecados de todos aqueles que cressem nesta obra pudessem ser salvos.

ii) O Cordeiro possui sete chifres.

(1) Os chifres são sinais de força e poder nas Escrituras.

(2) O fato do Cordeiro ter sete chifre mostra-nos que, apesar deste Cordeiro ter sido sacrificado, Ele possui todo o poder e toda autoridade.

iii) O Cordeiro possui sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus.

(1) Isto quer dizer que o Cordeiro possui toda virtude para governar.

(2) Quer dizer também que o Cordeiro sabe de todas as coisas, sendo onisciente como somente Deus é.

c) O Cordeiro cuja aparência impressiona toma o livro da mão daquele que está assentado no trono.

i) Ele é o único que tem direito de fazê-lo, de se aproximar do grandioso Deus de modo tão íntimo e tomar o livro.

ii) Ele é o único que pode abrir este livro santo e revelar ao mundo o seu conteúdo inenarrável.

d) A reação das pessoas que estão ao redor da cena é de adoração:

i) Os anciãos prostram-se diante do Cordeiro.

ii) Eles têm instrumentos musicais em uma das mãos.

iii) Na outra mão, eles têm taças de incenso. Essas taças de incenso são as orações dos santos. São feitas de ouro para nos mostrar a importância de nossas orações.

e) O que eles cantavam destacava a natureza e a obra do Cordeiro.

i) O Senhor é digno. Tu mereces a honra que tu estais recebendo.

ii) O Senhor fez por merecer.

(1) Foste morto.

(2) Compraste com o teu sangue toda a humanidade representada em pessoas de todas as nações.

(3) Não somente salvaste a humanidade da perdição, mas transformas-te toda a humanidade.

(a) Agora os seres humanos perdidos e pecadores fazem parte do teu reino. O reino destes seres humanos redimidos será todo abrangente. Eles reinarão sobre toda a terra.

(b) Eles são sacerdotes santificados para te adorar. Ministram eternamente para o Senhor o louvor e a adoração para que foram chamados e escolhidos para desempenharem.

iii) Tudo isto é destacado através de um cântico.

f) O cântico é um meio muito importante de adoração. Ele foi instituído por Deus para fazer parte da adoração da Igreja (Efésios 5.19; Colossenses 3.16; Tiago 5.13; Hebreus 13.15).

i) O cântico na igreja é obrigatório. É um mandamento que se aplica a todos e não é somente para que “sabe” cantar.

ii) O cântico deve ser a expressão do vai dentro da nossa alma.

(1) Isto é uma exortação contra a hipocrisia. Deus não aceita adoração de lábios que o louvam em contradição com o coração.

(2) Por outro lado, não é possível deixar de cantar quando se está com o coração cheio de piedade e alegria no Senhor. É impossível que um cristão esteja alegre sinceramente com o Senhor e deixar de cantar.

iii) O cântico na Igreja só faz sentido se nos edificar. Para que o cântico realmente edifique, ele deve cumprir certos requisitos:

(1) Deve expressar o caráter e as obras de Deus.

(2) Deve ter um conteúdo extraído das Escrituras.

(3) Deve vir acompanhado de uma música que me faça lembrar e sugira fortemente o ambiente reverente do culto de adoração ao Deus Santo e temível.

g) Estamos estudando sobre os meios de adoração. Já vimos no nosso estudo 2 meios de adorarmos Deus. Vimos que podemos adorar a Deus através de através de súplicas humildes, através de cânticos de adoração. Vejamos o último de meio de adorarmos a Deus.

III. Adoramos Deus, fazendo o bem aos outros (Hebreus 13.15-16).

a) Este texto deixa claro que nossa adoração a Deus é possível pela mediação de Jesus Cristo.

i) Não existe nenhum outro mediador humano, santo ou divino; somente Jesus Cristo pode fazer a ponte eterna entre Deus e os homens.

ii) Crer em Cristo e crer em outros ao mesmo tempo é não crer que Cristo é suficiente para salvar. É afirmar que a obra de Cristo não foi suficiente para desfazer a inimizade entre Deus e o homem.

iii) Se eu posso crer em minhas boas obras e nas boas obras de outros para me aproximar de Deus, é lógico dizer que Cristo morreu em vão e que Deus Pai é muito cruel. Havia outros meios de salvação e Deus ainda assim, sabendo disso, deixou seu Filho morrer sem necessidade.

iv) Só Jesus é mediador e ele é suficiente para nos levar a Deus.

b) Este texto afirma também que o conteúdo da nossa adoração deve ser o sacrifício de louvor.

i) Há, primeiro, uma alusão a adoração do AT.

ii) Na Antiga Aliança, o fiel trazia sua oferta a Deus que seria entregue no templo para ser sacrificada, a fim de cumprir um propósito espiritual. Este propósito poderia variar entre o perdão de pecados a ações de graças rendidas a Deus por tudo aquilo que Ele tinha feito.

iii) O sacrifício aqui é o sacrifício de louvor ou a oferta pacífica do fiel que já tem seus pecados perdoados diante de Deus, mas quer alegrar-se com sua família por todas as bênção que ele tem recebido de Deus (Levítico 7.11-15).

(1) Esta oferta poderia incluir mais do que animais sacrificados.

(2) Esta oferta exigia pureza dos participantes e conservação da pureza da carne. Nada daquele sacrifício poderia ser deixado para o dia seguinte.

(3) Toda carne deveria ser comida sem que esta passasse por qualquer processo de decomposição.

iv) Há um Salmo no AT que nos mostra com força o que Deus prefere no que diz respeito a sacrifícios adoração (Salmo 50.7-15).

(1) Deus declara primeiro que não nos repreenderá, não exortará como um juiz a nossa conduta, pelos sacrifícios de animais que fazemos.

(2) A Deus pertencem todas as coisas que nós podemos ofertá-lo em termos materiais. Toda a riqueza deste mundo, toda todos os louvores, todas as pregações e todas as pessoas já pertencem a Deus.

(3) Quando nós oferecemos a Deus louvores somos como o filho que vem dar um presente a seu pai, mas que o valor do presente foi ganho através do dinheiro que o próprio pai trabalhou para ganhar.

(4) Então, que valor pode ter uma adoração que, em última análise, nunca será de alguém que oferece o que é absolutamente seu para o Deus que possui todas as coisas?

(5) De acordo com este texto, Deus está mais interessado na atitude do adorador.

(a) Deus está interessado em sacrifícios de louvor. Ele não quer que cheguemos a Ele somente para pagamos uma dívida por causa do nosso pecado. Ele deseja que nos alegremos nele em tudo que ele nos tem feito.

(b) Deus está interessado que mantenhamos o nosso compromisso com Ele. Ele quer que todos nós cumpramos os votos que temos feito com Ele.

(c) Deus deseja que dependamos dele. Ele quer que clamemos a Ele no dia da angústia. A promessa de Deus é que Ele responderá às nossas súplicas desesperadas. É no desespero que encontramos o Senhor e estreitamos o nosso relacionamento com Ele e não dificilmente na bonança e em tempos de colheita.

v) Voltando ao texto de Hebreus 13.15, podemos afirmar que Deus está interessado no nosso relacionamento com Ele. Deus já resolveu para nós o problema do pecado. Ele perdoou nossos pecados através da obra do Senhor Jesus Cristo. Agora, baseados na condição de filhos de Deus e sacerdotes com Cristo, podemos nos aproximar de Deus com ofertas pacíficas e adorá-lo com ações de graças.

vi) O texto nos informa que estas ofertas não devem se limitar ao individuo, mas deve promover o compartilhar entre irmãos (Hebreus 13.16)

(1) De acordo com o texto, duas virtudes cristãs não podem ser negligenciadas: as boas obras e a comunhão.

(2) Fazer o bem é por em prática a bondade e o amor que devem caracterizar o cristão. Na verdade, para as Escrituras, o amor que não é prático não é amor (1 João 3.16-18). A prática do bem está incluída na adoração.

(3) A comunhão faz parte também da adoração. A comunhão é associação, é companheirismo, é ter em comum e relacionamento estreito. A comunhão implica generosidade e o compartilhar de bens e valores.

(4) Quem está intrigado com seu irmão, seu parente, seu cônjuge, seu colega de trabalho e seu vizinho não está adorando Deus.

(5) Deus se alegra com o sacrifício da prática do bem e detesta o sacrifício acompanhado com a maldade.

(a) Aqui somos lembrados de quem e o nosso cliente, aqui somos lembrados de quem devemos agradar.

(b) Por vezes, envolvidos em atividades de adoração, esquecemos de quem nós estamos adorando.

(c) Na adoração, tudo diz respeito a Deus. Ele é que deve se agradar e não nós. Ele é que deve ser glorificado. A obra dele é que deve ser destacada e a Palavra dele é que deve estar nos centro.

(d) Deus não se agrada da nossa adoração se no culto nós nos sentimos bem e ao mesmo tempo em casa estamos travando uma guerra familiar por motivos egoístas e sem amor.

(e) Deus não se agrada da nossa adoração se nos momentos de louvor cantamos alto e alegres e estamos lutando por posições de liderança no trabalho ou na Igreja através de meio ilícitos e cheios de crueldade.

(f) A adoração que agrada a Deus é a adoração que pratica o bem e que promove a comunhão.



Não caia na idéia de que, sendo para Deus, podemos fazer de qualquer jeito. Deus é a pessoa mais importante que existe, Ele merece o nosso melhor. Aliás, Deus já estabeleceu na sua Palavra os meios pelos quais ele deve ser adorado. Vimos nesta manhã três meios pelos quais Deus pode ser adorado: súplicas humildes, cântico de adoração e fazendo o bem ao próximo.


Pr. Renato Brito

Mensagem preparada para as aulas da EBD da Igreja Batista Regular de Novo Juazeiro e para Confererência Adorando com Entendimento da Igreja Batista Bíblica do Planalto

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Adoração Significativa


Se você visitar Londres, não terá qualquer problema em reconhecer a Catedral de São Paulo. Ela é considerada uma das dez mais belas construções do mundo e domina os céus de Londres. Aquela venerável construção permanece como um monumento ao seu criador — o astrônomo e arquiteto Christopher Wren. A Cadetral de São Paulo é a mais famosa realização de Christopher Wren, mas existe uma interessante história a respeito de uma construção menos famosa que ele projetou.

Wren recebeu a incumbência de projetar o interior da Câmara Municipal, em Windsor, ao oeste do centro de Londres. Seu projeto exigia colunas largas para suportar o teto elevado. Quando a construção foi terminada, os vereadores vistoriaram o edifício e expressaram preocupação a respeito de um problema: as colunas. O problema não era que eles estavam preocupados com a utilidade das colunas; eles apenas queriam um número maior de colunas.

A solução de Wren foi tão maldosa quanto a sua inspiração. Ele fez exatamente como lhe haviam pedido, instalando quatro novas colunas e satisfazendo as exigências de seus críticos. Aquelas colunas permanecem na Câmara Municipal, em Windsor, até hoje; e não são difíceis de identificar. Elas são as únicas que não suportam qualquer peso e, na realidade, nem alcançam o teto. Aquelas colunas são imitações. Wren as instalou para satisfazerem um único propósito — proporcionar melhor aparência. Elas são um embelezamento construído para agradar os olhos. No que diz respeito a suportar o edifício e a fortalecer a estrutura, elas se mostram tão úteis quanto os quadros pendurados nas paredes.

Embora me entristeça ao dizer isto, creio que muitas igrejas têm construído as suas próprias colunas decorativas, especialmente no culto. Vocês já observaram que na adoração congregacional —aquilo que os crentes fazem quando se reúnem — não é difícil achar crentes que a adoração tenha deixado vazios? Alguma coisa está faltando — alguma coisa importante.

Será que estamos colhendo as conseqüências de abandonarmos o modelo bíblico de adoração e construindo um modelo simplesmente decorativo? É possível que tenhamos construído uma fachada que não oferece qualquer suporte, não sustenta qualquer peso e está muito aquém de alcançar as alturas que Deus projetou e desejou que caracterizassem a adoração?

A verdadeira e genuína adoração não é uma opção para o povo de Deus. Não é uma sugestão; não é uma proposição do tipo “pegar ou largar”. A adoração no Dia do Senhor deveria ser a maior alegria de nossa semana. É a nossa oportunidade de engajarmos nossa mente nas coisas de Deus; de nos regozijarmos com o povo de Deus; de nos aquecermos na presença dEle; de bebermos corporativamente da sua Palavra; de dedicarmos nossos talentos e recursos; de encorajarmos e sermos encorajados e de Lhe oferecermos os nossos louvores.

A ênfase na adoração bíblica e nos elementos que constituem um culto rico e transformador tem sido substituída, em anos recentes, por aquilo que é superficial. A substância tem sido trocada por aquilo que é a sombra. O conteúdo foi lançado fora, para dar lugar ao estilo. O significado foi banido, o método tomou-lhe o lugar. O culto talvez pareça correto, mas traz consigo pouco valor espiritual.

Essa tendência talvez seja mais evidente em uma área muito íntima ao meu coração — o ensino da Palavra de Deus. Os exemplos mais óbvios são igrejas que menosprezam francamente a Bíblia e o ensino do seu verdadeiro significado, ao mesmo tempo que enfatizam o ritual e a tradição.

No entanto, esse é um exemplo muito fácil de citarmos. O que podemos dizer sobre as igrejas evangélicas, conservadoras que tomaram um caminho um pouco diferente, mas igualmente perigoso?

Os cultos, que antes centralizavam-se no ensino da Bíblia, têm sido substituídos por entretenimento ostentoso e mini-sermões. A luz das Escrituras tem sido perdida e em seu lugar há luzes de shows e efeitos especiais. A presença do pastor no palco é mais examinada do que o seu sermão. O tempo que antes era reservado ao ensino do pastor tem sido reduzido a alguns desprezíveis minutos de humor e bate-papo. Isto parece uma coluna decorativa que não suporta muito peso e nunca alcança o teto.

As ordenanças constituem outra área que foi deixada de lado nos cultos. Por ordenanças, eu me refiro ao batismo em água e à Ceia do Senhor — a comunhão. A Bíblia é clara. O batismo e a comunhão são integrais à vida da igreja e devem ter um papel elevado na adoração.

Mas algumas igrejas abandonaram completamente o batismo e a Ceia do Senhor, relegando-as aos cultos do meio da semana, quando provavelmente ofendem menos os incrédulos. Além disso, o significado do batismo e da Ceia do Senhor raramente é ensinado; e isto os condena à morte lenta nas mãos da obscuridade e da negligência.

Talvez você fique surpreso com a outra área que perdeu muito do seu significado na adoração. É um assunto sobre o qual não falo com freqüência, mas tem sido vital à minha igreja e ao seu ministério. Creio que a música tem perdido o seu devido lugar na adoração e tornou-se uma coluna ornamental. Em vez de nos conduzir a uma resposta ativa e pessoal à verdade de Deus, a música se tornou um barulho de segundo plano cujo objetivo é manter-nos ocupados, enquanto os pratos de coleta são passados. Em vez de elevar nossos pensamentos a respeito de Deus, além do nível que podemos fazê-lo sozinhos, a música se tornou uma rotina sem significado que raramente observamos. Em vez de desprender nos das pompas da vida diária e de atrair nossos pensamentos para o alto, a música se tornou um intervalo colocado antes da pregação. Em vez de glorificar a Deus, a música se tornou um estimulante para o ego de alguns cantores. Em vez de envolver nossas mentes na verdade a respeito de quem Deus é e do que Ele tem feito, a música é um carrossel emocional onde subimos e descemos quando queremos.

Mas o segredo de tornarmos mais significativa a música da adoração é uma questão de escolhermos músicas antigas e/ou músicas de estilo diferente? Não necessariamente. Martinho Lutero disse que a música é um servo criado e outorgado por Deus. Lutero estava correto. A música em si mesma — as notas, os sons, o ritmo — é apenas um instrumento para ajudar-nos a transmitir a verdade. Enquanto o estilo não contradiz nem obscurece a verdade, e a mensagem está correta, a música é uma questão de preferência.

O verdadeiro âmago da música é o seu significado — é a verdade contida em sua melodia. A verdade é a fonte da qual jorra toda a verdadeira adoração. A verdade é aquilo que torna a música uma coluna de sustentação e não apenas um ornamento na igreja. Quando a nossa música está fundamentada na verdade, ela eleva nossos pensamentos a Deus; impulsiona nosso coração em direção ao céu, de um modo que nenhuma outra coisa pode fazê-lo. A música nos emociona e, ao mesmo tempo, escava profundamente o solo empedernido de nosso coração. Acima de tudo, a música nos faz deixar de olhar para nós mesmos e atribui a glória a Deus. A música eleva nossa consciência da santidade de Deus e intensifica tanto o nosso senso de completa indignidade como o nosso senso de desventura.

Certamente, a música pode e deve produzir emoções. No entanto, as emoções devem surgir em resposta à verdade, e não ao custo da verdade. Por si mesmas, as emoções nunca se qualificam como adoração.


Tenho receio de que, enquanto não reconhecermos o devido lugar da música e nos treinarmos para escolhê-la e utilizá-la com cuidado, a música permanecerá como nada mais do que um simples ornamento, contribuindo muito pouco para a edificação da igreja. E o que é pior: teremos perdido o verdadeiro poder que a adoração tem a oferecer — o poder que transforma nossas vidas e nos atrai a maior intimidade com Deus.

Pr.

John MacArthur



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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Definindo Adoração


Vivemos em dias em que a adoração está em alta. Há muitos grupos musicais de adoração nascidos de ministérios de louvor das igrejas locais e comunidades evangélicas. Poderíamos citar o ministério Diante do Trono, o ministério Koinonia e o grupo Toque no Altar. Por conta da facilidade de registro áudio visual conseguida pelas novas tecnologias, com algum dinheiro, certo talento e muito ensaio é possível desenvolver programações de adoração musical no mesmo nível técnico em que os artistas seculares realizam seus eventos.

Muito se tem investido na área da adoração na igreja evangélica brasileira. Sabe-se que o orçamento para compra de instrumentos musicais, aparelhagem de som e recursos eletrônicos é sempre muito alto, isso sem levar em conta que o processo de formação de um músico sempre é bastante dispendioso. É certo que o investimento em música na Igreja não é grande na maioria dos Templos, mas os grupos de que cantamos as músicas em nossas igrejas e que se tornaram os mais influentes do cenário evangélico brasileiro, gastam milhões de reais na sua produção.

Uma pergunta precisa ser feita diante deste fato: será que todo esse investimento, toda essa variedade de estilos musicais, estilos para todos os gostos, toda essa multidão de grupos de adoração, será que toda esta febre de adoração tem agradado verdadeiramente o Deus Supremo que se propõe a adorar?

Um bom exemplo de uma possível inconsistência entre realizar intrincadas programações religiosas e não agradar a Deus é o exemplo dos judeus que viveram no tempo de Jesus. Eles dispensavam a responsabilidade de um filho de amparar seus pais na velhice destes se os filhos alegassem que estavam dando uma oferta ao templo. Jesus reprovou aquela prática, citando o profeta Isaías: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mt 15.8)”.

Outra pergunta, ainda mais instigante, que deve soar como uma nota estridente e alucinante em nossos ouvidos, é “será que minha adoração tem agradado a Deus?”.

É muito fácil apontar este ou aquele colega evangélico e dizer “isso não é adoração, desse jeito parece mais uma banda de forró do que um grupo de louvor”. É muito fácil comentar a respeito de uma música na igreja: “Esta música é muito parada, o culto parece mais um velório, não tinha uma música mais bonita para escolherem!?”.

Difícil é fazer a mesma crítica para si mesmo: “Será que meu coração não tem sido irreverente para com o meu Deus?”. “Será minhas emoções e meus pensamentos não estão no lugar errado enquanto eu adoro?”. “Será que eu não tenho tratado o Senhor de modo imoral e descompromissado?”. “O louvor morreu ou eu nunca desenvolvi a sensibilidade necessária para ouvir a voz de Deus na brisa do vento e não no trovão da tempestade?”.

O tema a ser desenvolvido nesta conferência é “Deus procura verdadeiros adoradores”. Acho muito interessante este tema, porque enfatiza quem é o centro da adoração.

Para iniciarmos o nosso estudo, vamos definir o que é adoração. Usamos freqüentemente a palavra louvor e a palavra adoração referindo-se aos cânticos que entoamos em parte do nosso culto. Não os cânticos não sejam um modo de adoração, mas devemos considerar que a adoração não se limita apenas aos cânticos.

O nosso plano procurará responder às seguintes perguntas:

1. O que é adoração?

2. Como podemos adorar a Deus?

3. Onde nós podemos adorar?

Hoje, procuraremos responder a primeira pergunta: “O que é adoração?”. Para esta pergunta, achamos nas Escrituras duas importantes respostas.



I. Adoração é reconhecer a superioridade do Deus Santo.

a) Na Bíblia, dois verbos do NT demonstram este significado da adoração.

i) Um dos verbos significa, literalmente, “diante como cão”. É usado quando alguém se abaixa diante de alguma autoridade e especialmente diante de Deus como um ato de adoração. Este verbo é uma expressão de reverência e respeito. Ele também é usado quando alguém suplica algo em seu favor.

ii) O outro verbo significa cair, descender ao chão ou de uma posição ereta. É usado como um par perfeito do verbo anterior, fazendo o conjunto “prostrar e adorar”.

b) Vejamos alguns exemplos de adoração no NT, que ilustram como adorar é reconhecer a superioridade de Deus.

i) Os magos vieram do Oriente para adorar o recém nascido Rei dos judeus (Mateus 2.1-2,9-11).

ii) Jesus não adorou Satanás, porque só Deus merece ser adorado (Mateus 4.8-10).

iii) Os seres celestiais que vivem diante de Deus estão em constante adoração (Apocalipse 5.8-10).

c) Adorar é agir de acordo com a realidade. Deus é Deus e diante dele eu sou nada. Não existe adoração enquanto reside em nosso coração o engano de que temos qualquer valor, direito, dignidade ou qualquer crédito diante do Deus santo.

i) A frivolidade, a descontração e a camaradagem com que nos tratamos uns aos outros não é adoração quando nós dirigimos esta mesma atitude para com Deus.

ii) Deus não é obrigado a nos aceitar se de modo desrespeitoso chegarmos para adorá-lo (Lv 10.1-3).

d) Dizem que aquele ato cavalheirismo de jogar a capa para que uma dama passe sem sujar os pés foi inaugurado por um navegante aventureiro do século XVI que queria fazer um galanteio a Elisabete I, que não era casada. Quando ela estava passando pela rua, ele estendeu seu manto no chão e disse à rainha: “Para que minha rainha não suje seus pés na lama das ruas!”.

e) Creio que, como perdemos visão da realeza e da majestade nas pessoas, perdemos também a visão da majestade do nosso Deus.

i) Tratamos o Senhor como tratamos qualquer um e talvez pior do que as autoridades segundo a carne que temos entre nós.

ii) Foi o teólogo John Stott que escreveu no livro “A cruz de Cristo” que “antes de gritarmos um confiante ‘Aleluia!’, é necessário que clamemos humildemente ‘Ai de mim! Estou perdido!’”.

f) É fato que Deus procura verdadeiros adoradores. O que é, porém, verdadeira adoração? Se Deus deseja ser adorado, que adoração seria esta?

i) A adoração é, primeiro, o reconhecimento da superioridade do Deus Santo. É quedar-se diante da sua glória, do seu grande poder e do seu amor infinito. A adoração não tem nada a ver com nossos talentos, nossas emoções nem com o crescimento numérico de nossas igrejas. A adoração não tem a ver com uma música que me seja mais agradável, bonita ou acessível.

ii) A adoração tem a ver com os atributos divinos, com o prazer de Deus e com o crescimento espiritual que estreita o nosso relacionamento com ele. A adoração tem a ver com uma música reverente e alegre que nos transporte a sala do trono do Grande Rei e que nos faça prostrar as almas diante dele.

g) Vimos, portanto, a primeira parte do nosso conceito de adoração. Adoração é reconhecer a superioridade do Deus Santo. A segunda responda a pergunta “o que é adoração?” é que...

II. Adoração é servir a Deus como Senhor

a) Passagens bíblicas

i) A profetisa Ana, viúva por muitos, anos servia a Deus, noite e dia, com jejum e súplica (Lc 2.36-38).

(1) O verbo traduzido pelo verbo adorar da nossa língua significa originalmente servir.

(2) Num sentido geral, seria servir por salário, como qualquer trabalhador.

(3) Num sentido específico, este verbo fala de alguém que presta um serviço religioso, que tem um ministério dentro de um templo, que traz ofertas e dons num culto ou que exerce uma função ordenada, como a do sacerdote.

ii) O culto como serviço é também encontrado nos escritos de Paulo (Rm 12.1).

(1) Uma linguagem de adoração é usada neste versículo.

(2) As Escrituras encorajam os cristãos a apresentarem-se como uma vítima a um sacrifício.

(3) Este sacrifício é realizado por meio das misericórdias de Deus. Só possível adorar o Deus verdadeiro pela sua própria graça e favor.

(4) Os nossos corpos é que são a oferta a ser entregue. Este sacrifício é diferente, porque não envolve a morte literal, mas uma entrega da própria vida para Deus.

(5) Além de vivo, o sacrifício é santo e agradável a Deus. Ele está livre das impurezas do pecado e agrada a Deus, isto é, dá prazer a Ele.

(6) O culto como serviço é caracterizado como racional ou espiritual como pode ser entendido também. O culto é realizado na entrega de nossas vidas a Deus, dos nossos corpos, mas ele é primordialmente espiritual, lógico e não afetado pelas emoções ligadas ao corpo.

iii) João viu os mortos da tribulação adorando Deus em seu estado redimido final. A expressão da adoração daquele grupo de fiéis é o serviço (Apocalipse 7.13-17).

b) Portanto, de modo simples e objetivo podemos dizer que adorar é servir.

i) Servir para nós é muito humilhante. É algo apropriado para quem é pobre, para quem não tem inteligência, para quem não foi esperto, para quem não teve competência para ter um emprego melhor e para quem faz parte de uma raça inferior. Valorizamos pessoas que se vestem bem, que não realizam trabalho braçal e que possuem algum cargo de chefia.

ii) Os valores cristãos são completamente diferentes. O Senhor deixou claro que é um privilégio servir nossos semelhantes, que este deve ser o grande ideal buscado por todos os seus discípulos. Aquele que quisesse ser o maior, deveria ser o menor e servir aos seus irmãos. Jesus não aboliu as funções de liderança nem o respeito que se deve prestar às pessoas que exercem a liderança, mas Jesus aboliu a arrogância de alguém que não deseja servir com humildade os outros por se achar superior aos outros, por causa da função que exerce.

iii) Esse desprezo pelo serviço muitas vezes é transferido para a adoração. O invés de termos servos no templo que estão ali para realizar um trabalho para Deus, temos clientes que estão nos templos para serem servidos.

(1) Temos pessoas que vieram a um restaurante e querem ser bem alimentados, atendidos com rapidez, serem bem tratados, sem se levantar da mesa e precisa realizar qualquer trabalho.

(2) O culto deveria ser uma refeição diferente. Uma refeição familiar em que cada membro da família já realizou a sua parte na tarefa de preparar a refeição. Uns servem aos outros com alegria e se agradam que os outros e não a si mesmo estão sendo bem alimentados.

c) Pensando na adoração como serviço, podemos dizer o seguinte.

i) Adorar não é somente estar dentro do templo bem arrumado, atento a programação, participando dela com cânticos, leituras e anotações.

ii) Quando somos escalados para fazer qualquer serviço na Igreja a fim de tornar o culto possível, nós estamos adorando Deus.

iii) Quando em casa fazemos qualquer tarefa para trazer os membros da família para o culto, nós estamos adorando a Deus.

d) Aliás, nós poderíamos dizer que nossa adoração deve incluir mais do que as disciplinas espirituais como a leitura da palavra e a oração. A nossa adoração deve incluir o meu serviço e meu serviço deve ser realizado para Deus como um ato de adoração.

i) Deste modo, a minha perspectiva do que faço na Igreja pode ir muito mais longe do que o ato imediato de servir.

ii) Provavelmente você tenha ouvido a História do homem que fez uma pergunta parecida a dois trabalhadores da mesma obra.

iii) A diferença entre os dois era que eles tinham uma visão diferente do trabalho que faziam. Um enxergava somente seu trabalho imediato. O outro enxergava além do que ele podia ver diante dos olhos.

iv) Do mesmo modo nós, quando estivermos realizando um serviço na Igreja de Deus, vamos colocá-lo na visão certa. Adorar é servir. Tudo que fazemos na Igreja deve ser um ato de adoração ao nosso Deus.



Deus procura verdadeiros adoradores. A adoração verdadeira precisa ser definida à da verdade revelada nas Escrituras. Adorar é reconhecer a superioridade do Deus Santo e servi-lo como um servo ao seu senhor.

Devemos nos perguntar nesta noite se somos os adoradores que Deus procura naquele perfil de verdadeiros adoradores. Será que somos adoradores que adoram o Senhor com adoração verdadeira? Será que nossa adoração é reverente, sendo o reconhecimento humano da superioridade do Deus Altíssimo? E mais: quando chegamos para adorar, somos clientes ou somos garçons, somos servos ou somos senhores?

Creio que o estilo de adoração mais difundido da atualidade é o estilo de adoração em que o ambiente do culto é totalmente descontraído, informal, de diversão e de uma grande festa em que se celebram os deuses do prazer e da loucura. Além disso, o estilo de culto tem se direcionado para atender às necessidades dos adoradores. Os adoradores é que são servidos naquilo que eles precisam e se sentem abençoados quando são curados, quando tem sua situação familiar resolvida, quando conseguem livrar suas contas do vermelho.

Infelizmente, podemos afirmar que o estilo de culto de muitas Igrejas Evangélicas Brasileiras não tem nada a ver com a adoração bíblica centralizada em Deus e realizada mediante o respeito e o serviço dos adoradores. Esta mensagem, porém, não diz respeito ao outro, mas diz respeito a mim. Será que eu na tenho sido irreverente? Será que tenho agido como o cliente vip da igreja e não quero me envolver no trabalho? Será que eu sou um verdadeiro adorador?

Façamos estas perguntas às nossas almas nesta noite e que Deus derrame sua graça em nós de forma que sejamos transformados à imagem do seu Amado Filho.

Pr. Renato Brito,

Mensagem apresentada na 2ª conferência Adorando com Entendimento da Igreja Batista Bíblica do Planalto em Fortaleza, CE, e na EBD da Igreja Batista Regular de Novo Juazeiro, Juazeiro do Norte-CE.

http://violabrito.blogspot.com/

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quando Deus Quer.....

Certo dia, durante a programação de uma emissora, ligou para a rádio uma senhora que estava passando por momentos muito difíceis. Aproveitando aquela oportunidade, ela resolveu fazer seu apelo e disse: - Estou passando por uma grande prova. O desemprego bateu à minha porta, tenho filhos pequenos, meu esposo está fazendo alguns serviços extras, porém, a renda não é suficiente. Se algum irmão puder me ajudar com qualquer alimento, eu ficaria muito grata; aquilo que DEUS tocar em seu coração, eu agradeço e será de grande ajuda. E ali ela aproveitou para dar seu endereço.

Entretanto, no momento desse apelo, um homem ateu estava ouvindo a programação e disse: - É hoje que eu mostro que Deus não se importa com ninguém! Então, ele se dirigiu para o mercado e fez toda aquela compra. De tudo comprou, e em dobro. Chegou em casa e disse para as duas pessoas que trabalhavam com ele: - Vocês vão até à casa desta senhora. Vão entregar esta compra e, quando ela perguntar quem mandou, vocês vão dizer que foi o diabo. O diabo é quem está enviando esta compra.

Os dois homem seguiram rumo à casa da senhora. Bateram palmas e ela, humilde, atendeu. Eles disseram: - Viemos trazer esta compra para a senhora. -Entrem, por favor. Vão colocando aqui... E ali descarregaram tudo. E a senhora disse: -Que Deus abençoe. Muito obrigada, muito abrigada mesmo! E os dois homens pararam, olharam um para o outro e sussurraram: -Será que ela não vai perguntar quem mandou a compra? E o outro respondeu: - Não sei... estranho, né? Então o primeiro, com todo o seu atrevimento, perguntou: -Ei, você não vai perguntar quem mandou esta compra?

E a senhora, com muita sabedoria, respondeu: - Não, porque quando DEUS quer, até o diabo obedece.....


O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.Sl 103: 19

Servindo com Alegria,
Henrique Prudêncio.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?




Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela?

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: “Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação.

Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!” Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificaivos!”

Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram:

“Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”.

Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

por

Charles H. Spurgeon



Servindo Com Alegria,
Henrique Prudêncio

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Salmo 19


Salmo 19

1 Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.


2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.

3 Não há fala, nem palavras; não se lhes ouve a voz.

4 Por toda a terra estende-se a sua linha, e as suas palavras até os consfins do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,

5 que é qual noivo que sai do seu tálamo, e se alegra, como um herói, a correr a sua carreira.

6 A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até a outra extremidade deles; e nada se esconde ao seu calor.

7 A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.

8 Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.

9 O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.

10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos.

11 Também por eles o teu servo é advertido; e em os guardar há grande recompensa.

12 Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos.

13 Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e ficarei limpo de grande transgressão.

14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!


Um dos mais belos salmos escrito pelo Rei Davi. Este salmo está dividido em duas partes: Revelação Geral e a Revelação Especial. Através destas duas partem podemos adquiri conhecimento de Deus.



I - Revelação Geral



A primeira parte, a revelação geral, fala da criação de vai do versículo 1 até o versículo 6. Deus se revela através da Sua criação e a ela é um estímulo para louvá-lo, como podemos ver em vários salmos,  por exemplo: Sl 98, Sl 104. Nós louvamos a Deus pelos grandes feitos Dele, e por Ele ser o criador, poderoso, grande, digno de louvor(Sl 92). A própria criação O louva pelos os Seus feitos (Sl 19: 1-4a;  Sl 98:7-8; Sl 96:11-12).



Ainda nesta primeira parte do salmo vemos a figura do sol. Aqui o sol não está sendo adorado, e sim está sendo mostrado como um reflexo do poder e do conhecimento de Deus. Assim como o calor do sol abrange toda a terra, as obras de Deus podem ser vistas em toda a terra também, fazendo que as criaturas tenham conhecimento de Deus(Rm 1:18-21).



II – Revelação especial



O salmista faz uma mudança repentina, onde, agora irá falar especificamente sobre a Palavra de Deus, pois está falando diretamente ao seu povo. Podemos perceber isso na troca do nome Deus por SENHOR, mostrando a sua intimidade com o povo escolhido.



Nos versículos de 7 a 9 vemos os sinônimos, as qualidades e os efeitos da Palavra de Deus.


1. SINÔNIMOS

a) Lei;

b) Testemunho;

c) Preceito;

d) Mandamentos;

e) Temor;

f) Juízos.


2. QUALIDADES

a) Perfeita;

b) Fiel;

c) Retos;

d) Puro;

e) Límpido

f) Verdadeiros.


3. EFEITOS

a) Restaura a alma;

b) Dá sabedoria aos símplices;

c) Alegram o coração;

d) Ilumina os olhos;

e) Permanecem para sempre;

f) Verdadeiros e todos igualmente justos.


A Escritura é totalmente suficiente para atender todas as necessidades da alma humana. Pense nisso: a verdade das Escrituras pode restaurar a alma ferida pelo pecado, confere sabedoria espiritual, alegrar o coração abatido, e trazem iluminação espiritual. Em outras palavras, a Bíblia resume tudo o que precisamos saber sobre a verdade e a justiça. Ou, como diz o apóstolo Paulo, a Escritura é capaz de nos equipar para toda boa obra (2 Tm. 3:17).


No versículo 10 vemos que a Palavra de Deus é mais desejável do o ouro, mostrando assim o seu grande e imenso valor, valor que muitas vezes desprezamos. Desprezamos quando não a lemos e não a estudamos. Os benefícios que a Palavra nos traz também podem ser visto em II Tm 3:16-17. Através da Palavra de Deus nós vemos a correção, ela nos faz reconhecer e ver os nossos erros. Ela penetra nos lugares mais íntimos do Homem, mostrando sempre o que certo(Sl 19:10-13; Hb 4:12).



Quando vemos os nossos erros à luz da Palavra de Deus, e os reconhecemos, então é inevitável a consagração a Deus, pois a Palavra no induz a isso(vv 14).

Servindo com Alegria,
Henrique Prudêncio

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

OBEDECER A DEUS

Lc 2 : 21-38

1 Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido.
22 Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor,
23 conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado;
24 e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos.
25  Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
26 Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor.
27 Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava,
28 Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo:
29 Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra;
30 porque os meus olhos já viram a tua salvação,
31 a qual preparaste diante de todos os povos:
32 luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.
33 E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia.
34 Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição
35 (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
36 Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara
37 e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações.
38 E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Estudaremos nesse texto atitudes de algumas pessoas que temiam a Deus e obedeciam a sua Palavra. São elas: José e Maria, Simeão, e Ana.


I. UM EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA – JOSÉ E MARIA (vv 21 -24)

Os pais de Jesus obedecem aos mandamentos de Deus, quando o levam, no oitavo dia, para ser circuncidado e depois do período de purificação a consagração do primogênito, de acordo com a lei de Moisés (Lv 12). Sendo judeu, era necessário que Jesus fosse circuncidado, pois Ele é “nascido sob a lei” (Gl 4:4-5). A obediência de José e Maria a Deus é demonstrada, também, ao darem ao menino o nome de JESUS (Salvador), como o anjo havia instruído.

A necessidade de purificação surge pelo fato de a mãe ser, cerimonialmente, impura. Por sete dias depois do nascimento de um menino, e por outros 33 dias ela devia guardar-se de tocar coisas santas e de entrar no santuário, esse era o tempo de purificação (Lv 12: 1-4).

A oferta que eles ofereceram foi a de uma família pobre, pois de acordo com a Lei, se uma família não tivesse muitas posses a oferta seria a de uma par de rolas ou dois pombinhos (Lv 12:8). Vemos, nesse texto, que José e Maria procuravam cumprir os mandamentos de Deus a risca da maneira que Ele ordenou. Deus nos deu os seus mandamentos para que os cumpramos a risca (Sl 119:4).



II. UM EXEMPLO DE CONFIANÇA E ESPERANÇA NO SALVADOR – SIMEÃO (vv 25 - 35)

Simeão era um homem justo e piedoso que confiava na Palavra de Deus. Deus havia dito que ele não morreria antes de ver o Cristo(vv26). E vemos essa promessa se cumprindo no versículo 29. O Espírito habitava nele mesmo antes do pentecostes, e ele era realmente guiado pelo Espírito.

Simeão descreve o propósito da vinda de Cristo no momento em o toma em seus braços(vv 29-32). O modo com que ele falou a Maria mostra que ele possuía uma compreensão do significado das profecias referentes ao sofrimento do Messias(vv 34-35), já fazendo um “aviso” do que iria acontecer com Jesus.

“Para ruína e levantamento” - fala dois grupos de pessoas: os que irão rejeitar a Jesus e cair eternamente. E os que o receberão e estarão para sempre com Deus.



III. UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO – ANA (vv 36-38)


Ana era uma mulher totalmente consagrada ao Senhor, de noite e de dia estava no templo servindo. Provavelmente se tornou viúva muito nova, pois passou apenas sete anos com o seu marido, como naquela época as mulheres se casavam em torno de 14 a 17 anos, ele deve ter perdido o seu marido, provavelmente, aos 24 anos. Após a morte dele, ela dedicou-se a oração e aos jejuns (vv36-37). Ana almejava a vinda do Messias, ela percebeu que Ele havia chegado no louvor de Simeão(vv 29-32), e ela já estava com 84 anos. Quando soube que o messias havia chegado dava graças a Deus e proclamava a notícia aos que esperavam a redenção de Jerusalém. Ana passou cerca de 60 anos se dedicando totalmente a Deus.

Simão e Ana representavam o povo piedoso em Israel, diferente dos judeus de mente carnal, onde faziam as obras para manter a aparência, honrando a Deus apenas com os lábios, mas o coração estava longe de Deus.


E nós?

Temos buscado Obedecer aos mandamentos de Deus como José e Maria?
Temos Confiado nas promessas de Deus, como Simeão?
Temos nos Dedicado ao serviço de Deus como Ana?
Temos orado pelo menos 10% do tempo de oração de Ana?

Que possamos nos dedicar em cumprir os mandamentos de Deus, confiando em Suas promessas, e nos dedicando ao serviço Dele.



Servindo com Alegria,
Henrique Prudêncio.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Longanimidade



I - Introdução:

Gl 5:16-23

16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.
17 Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.
18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.
19 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,
20 idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,
21 invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.
22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.


 Reparem que o "fruto" do versículo 22 está no singular, em contraste com as "obras" do versículo 19, que está no plural. O Espírito produz um único fruto, o que significa a unidade das Qualidades Espirituais. Quando realmente andamos pelo Espírito, não iremos ver um pouco, mas todas as partes do fruto do Espírito em nossas vidas. Deus reduz tudo a um denominador comum – o andar pelo Espírito (vv16), o qual produz o fruto. O fruto do Espírito determina o caráter do cristão e cada parte do fruto constitui o padrão que deve ser visto na vida do crente. O fruto do Espírito é extremamente importante. É o indicador de que um homem é salvo (Rm 6:22; Ef 5:9). Se não houver nenhum fruto em sua vida, algo está errado, porque fruto é prova de que Deus está no trabalho, pois o salvo é a habitação do Espírito. Cristo fala que “pelos seus frutos os conhecereis” Mt 7:15-20, se somos Dele, então, devemos apresentar Seus frutos em nossas vidas. Caminhar (VIVER) no Espírito produz frutos.

Já estudamos sobre o amor, alegria e paz, e hoje trataremos de mais uma parte específica do Fruto do Espírito, a LONGANIMIDADE.

Para você o que significa LONGANIMIDADE?

Longanimidade é a capacidade de suportar por muito tempo uma situação desagradável, provocada por alguém, ser TOLERANTE. Na tradução da NVI a palavra que foi traduzida como PACIÊNCIA. O dicionário da Língua Portuguesa afirma que longanimidade é a qualidade de que é longânime. E longânime é aquele que é bondoso, generoso, magnânimo, paciente ou resignado. A palavra longanimidade, traduzida para o português, é formada por duas palavras gregas: “macros” (longo) e “thumos” (temperamento), isto é, ânimo longo. Esta idéia é completamente contrária ao modo de vida “tolerância zero” de muitos hoje. Se o que não possui esta virtude é dito que tem “pavio curto”, então o longânime possui “pavio longo”.

Muitas pessoas nos dias de hoje tem muita facilidade de expressar a falta de longanimidade. São muitas as situações na vida que podem nos causar irritação: A conexão lenta de internet (principalmente na Lan-house onde cada minuto vale dinheiro), a falta de tinta na impressora na hora da impressão de um trabalho que tem que ser entregue daqui a uma hora, a perda de um ônibus, quando já estamos atrasados, andar atrás de uma pessoa que anda bem devagar quase parando quando estamos apressados no centro ou no shopping, entre outras situações.

Veremos exemplos de longanimidade na Palavra de Deus. Primeiramente a longanimidade em Deus e depois na vida crente em Cristo.

II – A LONGAMINIDADE EM DEUS

A longanimidade é um atributo de Deus (Nm 14:18). Deus é longânimo. Antes de levar o pecador ao arrependimento, Deus o suportou muito, usando a longanimidade. Romanos 2:4 nos diz que Deus é paciente, embora haja pessoas que ignora a Sua paciência.

A longanimidade pode ser vista também como misericórdia, pois é por causa dela que não somos consumidos (Lm 3:22-23). A longanimidade Deus está sempre conectada com paciência e misericórdia e deve ser refletida na vida de um cristão. (Ex: Sl 103:8 ; Sl 145:8; Sl 86:15; 2Pe 3.9)

Mas a longanimidade de Deus tem limite para o ímpio, pois Deus exerce a Sua capacidade de suportar ofensas, blasfemas, antes de tirar a vida e destiná-lo ao inferno. (Rm 9.22; 1Pe 3.20)

O grande exemplo de paciência é Cristo. Cristo sendo Deus suportou várias coisas para que o plano de Deus fosse cumprido. Em Timóteo 1:16, Paulo falou de Cristo como exemplo de paciência .O Senhor Jesus suportou Paulo em grande paciência, enquanto Paulo gastou uma parte da sua vida adulta em perseguir cristãos. Mas finalmente Cristo o redimiu para fazê-lo Apóstolo.

II - A LONGAMINIDADE NO CRENTE

Pelo fato de Deus ser longânimo, nós devemos buscar diligentemente exercer a longanimidade, pois ela na vida do crente:

1. É sinal de sabedoria ( Pv 14.29 ); A paciência produz sabedoria, como diz Tiago: justiça de Deus (Tg 1:19-20)
2. Ele será chamado de apaziguador ( Pv 15. 18 )
3. Ele será precioso ( Pv 16.32 ). Salomão disse isso em uma época em que os heróis eram admirados, imagine só é melhor ser longânimo do que ser um herói.
4. É um dos alicerces da comunhão (Ef 4:2-3 ;Cl 3.12-13). Paulo rogava, apelava para que os irmãos suportassem uns aos outros. Quando vemos uma igreja pacífica e saudável durante muito tempo, pode ter certeza de que a longanimidade está sendo aplicada. E o contrário: veneno para uma igreja é a incapacidade dos irmãos de suportarem agressões uns dos outros
A igreja nos proporciona várias situações para exercer a longanimidade, pois:
• Há pecadores
• Há diferentes opiniões
• Há personalidades distintas
Uma característica essencial do espírito cristão é a capacidade de suportar a fraqueza dos outros com longanimidade, que tem por finalidade manter a UNIDADE DO CORPO DE CRISTO.
5. É sinal de Amor (I Co 13: 4,8) Umas das características do amor é ser paciente.
6. É sinal de Perdão (Mt 18: 21-22 ; 23-35) O perdão está muito ligado em manter a união.

Se exercitarmos a longanimidade nas pequenas situações e nas pequenas irritações diárias, sabendo que Deus está no controle de tudo, estaremos preparados para resistir grandes batalhas.

III – Conclusão

Devemos sempre agradecer em nossas orações a longanimidade que Deus teve e tem com a gente. Vimos que o nosso Deus é um Deus longânimo e que devemos nos esforçar em praticar a longanimidade, pois ela é fundamental para: ter um bom relacionamento entre os irmãos, praticar o amor, o perdão.

Que possamos, irmãos, andar sempre no Espírito, para que o Seu fruto seja visto em nossas vidas.


Servindo com Alegria,
Henrique Prudêncio.


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