quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os Meios de Adoração


Os Meios de Adoração


Dizem que o inventor da lâmpada elétrica fez centenas de tentativas até achar o material mais adequado para se usar no seu invento. A lâmpada elétrica só pode funcionar quando o meio adequado de produzir luz foi encontrado.

Algumas pessoas aprecem compartilhar a idéia errada de que Deus pode ser adorado por qualquer meio. Para estas pessoas, o que importa é o conteúdo e não o meio. Deste modo, qualquer ato, qualquer manifestação artística e qualquer procedimento pode adorar Deus.

Isto não é verdade! As Escrituras deixam claro que Deus se importa com o meio utilizado pelo adorador para se chegar a ele. O que percebemos das informações bíblicas é que quando o homem não utiliza os meio adequados para adorar Deus, Deus não aceita aquele tipo de adoração.

Estamos meditando no tema “Deus procura verdadeiros adoradores”. Ontem falamos que adorar é reconhecer a superioridade do Deus Santo e prestar um serviço como um empregado serve a seu patrão. Hoje vamos compartilhar alguns meios encontrados nas Escrituras de adorarmos Deus.

Deus se agrada de nossa adoração quando ela é realizada pelos meios revelados nas Escrituras. Existem muitos meios. Vamos compartilhar três meios pelos quais Deus pode ser adorado.

I. Adoramos Deus através de súplicas humildes.

a) Houve uma mulher no tempo da chegada do Senhor Jesus Cristo ao mundo que adorava a Deus, fazendo súplicas e jejuns constantes no Templo do Senhor (Lucas 2.36-38).

i) Ana era profetisa.

ii) Sua linhagem poderia ser facilmente traçada, o que indica um zelo desta mulher em se alinhar com as promessas de Deus feitas ao seu povo.

iii) Livre das obrigações de seu lar enquanto dona de casa e mãe, Ana se dedicava com mais concentração ao Senhor, como escreveu o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 7.32-35.

iv) Ana adorava noite e dia com orações e jejuns. Suas orações eram constantes diante de Deus, sendo acompanhadas da prática do jejum.

v) Esta piedade fez com que Ana estivesse pronta para receber o seu Rei.

(1) Ela podia dar graças e compartilhar que a redenção de Israel que muitos estavam esperando já havia chegado.

(2) Aquelas súplicas regadas pela tristeza e aflição de alma dos jejuns foram transformadas na alegria das ações de graças e do evangelismo.

b) Quando Cristo estava realizando seu ministério, pessoas se dirigiam a ele em adoração, pedindo que Jesus lhes fizesse um ato de amor e misericórdia (Mateus 8.2; 15.25).

i) Jesus nunca rejeitou esta adoração, porque a adoração é sempre apropriada a Deus. Jesus é o próprio Deus encarnado, cheio de graça e de verdade.

ii) Deus é adorado quando estamos em aperto e clamamos pela misericórdia divina, suplicando que ele nos livre e nos conceda uma cura.

c) Pensamos que adorar é apenas cantar louvores festivos a Deus, estando empolgados e felizes pelas coisas que ele nos fez.

i) Certamente Deus foi adorado quando Israel realizou aquelas grandes celebrações nacionais no auge do seu rei sob o cetro de Davi e Salomão.

ii) Foi também adoração rendida a Deus quando Jeremias entoou uma lamentação por causa da destruição de Jerusalém e do Templo, confessando ali os pecados da nação e se lembrando das misericórdias de Deus.

iii) Pode haver adoração no riso dos que estão felizes e pode haver adoração no pranto dos contristados.

iv) Devemos chegar a maturidade de adorar Deus em todas as ocasiões que Ele nos conceder.

(1) Se Deus nos conceder tristeza, escassez, dificuldades e derrota, a modo apropriado de adoração será o clamor, a petição insistente, a oração e o jejum.

(2) Se Deus nos conceder alegria, fartura, facilidade e vitória, o modo apropriado de adorá-lo é o cântico alegre, as ações de graças, as celebrações e o evangelismo.

(3) É o que nos mostra com clareza o irmão do Senhor (Tiago 5.13-16).

v) Temos a terrível tendência de não dar graças a Deus quando estamos felizes e de não orar quando estamos tristes. Tanto a ingratidão quanto a auto-suficiência são incompatíveis com a adoração, são pecados que devem ser confessados e vícios de que nós precisamos de desintoxicação.

d) Na última aula, vimos que podemos adorar Deus por meio de ofertas de valor e podemos adorar Deus por meio de gestos respeitosos. Hoje vimos que podemos adorar Deus através de súplicas humildes. Vejamos outro meio de adoração.

II. Adoramos Deus por meio de cânticos de louvor (Apocalipse 5.6-10).

a) A cena apresentada pelo apóstolo João é grandemente impressionante.

i) Ele viu na mão direita daquele que estava assentado no trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos, que uma vez aberto, desencadearia todos os eventos do juízo final.

ii) Um anjo clamou em alta voz: “Que é digno de abrir o livro e desatar-lhe os selos?”.

iii) O livro e o seu conteúdo era tão importante que aquele que estava assentado no trono não podia abrir, os seres viventes não podiam abrir, os vinte e quatro anciãos não podiam abrir, nenhum dos anjos podia abrir nem mesmo qualquer outra criatura que havia sobre a terra.

iv) Entendendo a importância daquele livro e da impossibilidade de ser aberto, João chorava muito.

v) Até que o discípulo amado foi consolado por um dos anciãos que disse: “Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e seus sete selos”.

vi) Neste ponto, João vê o Cordeiro de Deus que se aproxima do trono, toma do livro e é digno de abrir-lhe os selos.

b) Este Cordeiro possui uma aparência especial:

i) É um Cordeiro que tem a aparência de ter sido morto.

(1) A humilhação do Senhor Jesus Cristo é a obra realizada por Cristo que o torna digno de julgar o mundo e restabelecer a paz eterna.

(2) Ele passou pela morte para que o perdão dos pecados de todos aqueles que cressem nesta obra pudessem ser salvos.

ii) O Cordeiro possui sete chifres.

(1) Os chifres são sinais de força e poder nas Escrituras.

(2) O fato do Cordeiro ter sete chifre mostra-nos que, apesar deste Cordeiro ter sido sacrificado, Ele possui todo o poder e toda autoridade.

iii) O Cordeiro possui sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus.

(1) Isto quer dizer que o Cordeiro possui toda virtude para governar.

(2) Quer dizer também que o Cordeiro sabe de todas as coisas, sendo onisciente como somente Deus é.

c) O Cordeiro cuja aparência impressiona toma o livro da mão daquele que está assentado no trono.

i) Ele é o único que tem direito de fazê-lo, de se aproximar do grandioso Deus de modo tão íntimo e tomar o livro.

ii) Ele é o único que pode abrir este livro santo e revelar ao mundo o seu conteúdo inenarrável.

d) A reação das pessoas que estão ao redor da cena é de adoração:

i) Os anciãos prostram-se diante do Cordeiro.

ii) Eles têm instrumentos musicais em uma das mãos.

iii) Na outra mão, eles têm taças de incenso. Essas taças de incenso são as orações dos santos. São feitas de ouro para nos mostrar a importância de nossas orações.

e) O que eles cantavam destacava a natureza e a obra do Cordeiro.

i) O Senhor é digno. Tu mereces a honra que tu estais recebendo.

ii) O Senhor fez por merecer.

(1) Foste morto.

(2) Compraste com o teu sangue toda a humanidade representada em pessoas de todas as nações.

(3) Não somente salvaste a humanidade da perdição, mas transformas-te toda a humanidade.

(a) Agora os seres humanos perdidos e pecadores fazem parte do teu reino. O reino destes seres humanos redimidos será todo abrangente. Eles reinarão sobre toda a terra.

(b) Eles são sacerdotes santificados para te adorar. Ministram eternamente para o Senhor o louvor e a adoração para que foram chamados e escolhidos para desempenharem.

iii) Tudo isto é destacado através de um cântico.

f) O cântico é um meio muito importante de adoração. Ele foi instituído por Deus para fazer parte da adoração da Igreja (Efésios 5.19; Colossenses 3.16; Tiago 5.13; Hebreus 13.15).

i) O cântico na igreja é obrigatório. É um mandamento que se aplica a todos e não é somente para que “sabe” cantar.

ii) O cântico deve ser a expressão do vai dentro da nossa alma.

(1) Isto é uma exortação contra a hipocrisia. Deus não aceita adoração de lábios que o louvam em contradição com o coração.

(2) Por outro lado, não é possível deixar de cantar quando se está com o coração cheio de piedade e alegria no Senhor. É impossível que um cristão esteja alegre sinceramente com o Senhor e deixar de cantar.

iii) O cântico na Igreja só faz sentido se nos edificar. Para que o cântico realmente edifique, ele deve cumprir certos requisitos:

(1) Deve expressar o caráter e as obras de Deus.

(2) Deve ter um conteúdo extraído das Escrituras.

(3) Deve vir acompanhado de uma música que me faça lembrar e sugira fortemente o ambiente reverente do culto de adoração ao Deus Santo e temível.

g) Estamos estudando sobre os meios de adoração. Já vimos no nosso estudo 2 meios de adorarmos Deus. Vimos que podemos adorar a Deus através de através de súplicas humildes, através de cânticos de adoração. Vejamos o último de meio de adorarmos a Deus.

III. Adoramos Deus, fazendo o bem aos outros (Hebreus 13.15-16).

a) Este texto deixa claro que nossa adoração a Deus é possível pela mediação de Jesus Cristo.

i) Não existe nenhum outro mediador humano, santo ou divino; somente Jesus Cristo pode fazer a ponte eterna entre Deus e os homens.

ii) Crer em Cristo e crer em outros ao mesmo tempo é não crer que Cristo é suficiente para salvar. É afirmar que a obra de Cristo não foi suficiente para desfazer a inimizade entre Deus e o homem.

iii) Se eu posso crer em minhas boas obras e nas boas obras de outros para me aproximar de Deus, é lógico dizer que Cristo morreu em vão e que Deus Pai é muito cruel. Havia outros meios de salvação e Deus ainda assim, sabendo disso, deixou seu Filho morrer sem necessidade.

iv) Só Jesus é mediador e ele é suficiente para nos levar a Deus.

b) Este texto afirma também que o conteúdo da nossa adoração deve ser o sacrifício de louvor.

i) Há, primeiro, uma alusão a adoração do AT.

ii) Na Antiga Aliança, o fiel trazia sua oferta a Deus que seria entregue no templo para ser sacrificada, a fim de cumprir um propósito espiritual. Este propósito poderia variar entre o perdão de pecados a ações de graças rendidas a Deus por tudo aquilo que Ele tinha feito.

iii) O sacrifício aqui é o sacrifício de louvor ou a oferta pacífica do fiel que já tem seus pecados perdoados diante de Deus, mas quer alegrar-se com sua família por todas as bênção que ele tem recebido de Deus (Levítico 7.11-15).

(1) Esta oferta poderia incluir mais do que animais sacrificados.

(2) Esta oferta exigia pureza dos participantes e conservação da pureza da carne. Nada daquele sacrifício poderia ser deixado para o dia seguinte.

(3) Toda carne deveria ser comida sem que esta passasse por qualquer processo de decomposição.

iv) Há um Salmo no AT que nos mostra com força o que Deus prefere no que diz respeito a sacrifícios adoração (Salmo 50.7-15).

(1) Deus declara primeiro que não nos repreenderá, não exortará como um juiz a nossa conduta, pelos sacrifícios de animais que fazemos.

(2) A Deus pertencem todas as coisas que nós podemos ofertá-lo em termos materiais. Toda a riqueza deste mundo, toda todos os louvores, todas as pregações e todas as pessoas já pertencem a Deus.

(3) Quando nós oferecemos a Deus louvores somos como o filho que vem dar um presente a seu pai, mas que o valor do presente foi ganho através do dinheiro que o próprio pai trabalhou para ganhar.

(4) Então, que valor pode ter uma adoração que, em última análise, nunca será de alguém que oferece o que é absolutamente seu para o Deus que possui todas as coisas?

(5) De acordo com este texto, Deus está mais interessado na atitude do adorador.

(a) Deus está interessado em sacrifícios de louvor. Ele não quer que cheguemos a Ele somente para pagamos uma dívida por causa do nosso pecado. Ele deseja que nos alegremos nele em tudo que ele nos tem feito.

(b) Deus está interessado que mantenhamos o nosso compromisso com Ele. Ele quer que todos nós cumpramos os votos que temos feito com Ele.

(c) Deus deseja que dependamos dele. Ele quer que clamemos a Ele no dia da angústia. A promessa de Deus é que Ele responderá às nossas súplicas desesperadas. É no desespero que encontramos o Senhor e estreitamos o nosso relacionamento com Ele e não dificilmente na bonança e em tempos de colheita.

v) Voltando ao texto de Hebreus 13.15, podemos afirmar que Deus está interessado no nosso relacionamento com Ele. Deus já resolveu para nós o problema do pecado. Ele perdoou nossos pecados através da obra do Senhor Jesus Cristo. Agora, baseados na condição de filhos de Deus e sacerdotes com Cristo, podemos nos aproximar de Deus com ofertas pacíficas e adorá-lo com ações de graças.

vi) O texto nos informa que estas ofertas não devem se limitar ao individuo, mas deve promover o compartilhar entre irmãos (Hebreus 13.16)

(1) De acordo com o texto, duas virtudes cristãs não podem ser negligenciadas: as boas obras e a comunhão.

(2) Fazer o bem é por em prática a bondade e o amor que devem caracterizar o cristão. Na verdade, para as Escrituras, o amor que não é prático não é amor (1 João 3.16-18). A prática do bem está incluída na adoração.

(3) A comunhão faz parte também da adoração. A comunhão é associação, é companheirismo, é ter em comum e relacionamento estreito. A comunhão implica generosidade e o compartilhar de bens e valores.

(4) Quem está intrigado com seu irmão, seu parente, seu cônjuge, seu colega de trabalho e seu vizinho não está adorando Deus.

(5) Deus se alegra com o sacrifício da prática do bem e detesta o sacrifício acompanhado com a maldade.

(a) Aqui somos lembrados de quem e o nosso cliente, aqui somos lembrados de quem devemos agradar.

(b) Por vezes, envolvidos em atividades de adoração, esquecemos de quem nós estamos adorando.

(c) Na adoração, tudo diz respeito a Deus. Ele é que deve se agradar e não nós. Ele é que deve ser glorificado. A obra dele é que deve ser destacada e a Palavra dele é que deve estar nos centro.

(d) Deus não se agrada da nossa adoração se no culto nós nos sentimos bem e ao mesmo tempo em casa estamos travando uma guerra familiar por motivos egoístas e sem amor.

(e) Deus não se agrada da nossa adoração se nos momentos de louvor cantamos alto e alegres e estamos lutando por posições de liderança no trabalho ou na Igreja através de meio ilícitos e cheios de crueldade.

(f) A adoração que agrada a Deus é a adoração que pratica o bem e que promove a comunhão.



Não caia na idéia de que, sendo para Deus, podemos fazer de qualquer jeito. Deus é a pessoa mais importante que existe, Ele merece o nosso melhor. Aliás, Deus já estabeleceu na sua Palavra os meios pelos quais ele deve ser adorado. Vimos nesta manhã três meios pelos quais Deus pode ser adorado: súplicas humildes, cântico de adoração e fazendo o bem ao próximo.


Pr. Renato Brito

Mensagem preparada para as aulas da EBD da Igreja Batista Regular de Novo Juazeiro e para Confererência Adorando com Entendimento da Igreja Batista Bíblica do Planalto

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Adoração Significativa


Se você visitar Londres, não terá qualquer problema em reconhecer a Catedral de São Paulo. Ela é considerada uma das dez mais belas construções do mundo e domina os céus de Londres. Aquela venerável construção permanece como um monumento ao seu criador — o astrônomo e arquiteto Christopher Wren. A Cadetral de São Paulo é a mais famosa realização de Christopher Wren, mas existe uma interessante história a respeito de uma construção menos famosa que ele projetou.

Wren recebeu a incumbência de projetar o interior da Câmara Municipal, em Windsor, ao oeste do centro de Londres. Seu projeto exigia colunas largas para suportar o teto elevado. Quando a construção foi terminada, os vereadores vistoriaram o edifício e expressaram preocupação a respeito de um problema: as colunas. O problema não era que eles estavam preocupados com a utilidade das colunas; eles apenas queriam um número maior de colunas.

A solução de Wren foi tão maldosa quanto a sua inspiração. Ele fez exatamente como lhe haviam pedido, instalando quatro novas colunas e satisfazendo as exigências de seus críticos. Aquelas colunas permanecem na Câmara Municipal, em Windsor, até hoje; e não são difíceis de identificar. Elas são as únicas que não suportam qualquer peso e, na realidade, nem alcançam o teto. Aquelas colunas são imitações. Wren as instalou para satisfazerem um único propósito — proporcionar melhor aparência. Elas são um embelezamento construído para agradar os olhos. No que diz respeito a suportar o edifício e a fortalecer a estrutura, elas se mostram tão úteis quanto os quadros pendurados nas paredes.

Embora me entristeça ao dizer isto, creio que muitas igrejas têm construído as suas próprias colunas decorativas, especialmente no culto. Vocês já observaram que na adoração congregacional —aquilo que os crentes fazem quando se reúnem — não é difícil achar crentes que a adoração tenha deixado vazios? Alguma coisa está faltando — alguma coisa importante.

Será que estamos colhendo as conseqüências de abandonarmos o modelo bíblico de adoração e construindo um modelo simplesmente decorativo? É possível que tenhamos construído uma fachada que não oferece qualquer suporte, não sustenta qualquer peso e está muito aquém de alcançar as alturas que Deus projetou e desejou que caracterizassem a adoração?

A verdadeira e genuína adoração não é uma opção para o povo de Deus. Não é uma sugestão; não é uma proposição do tipo “pegar ou largar”. A adoração no Dia do Senhor deveria ser a maior alegria de nossa semana. É a nossa oportunidade de engajarmos nossa mente nas coisas de Deus; de nos regozijarmos com o povo de Deus; de nos aquecermos na presença dEle; de bebermos corporativamente da sua Palavra; de dedicarmos nossos talentos e recursos; de encorajarmos e sermos encorajados e de Lhe oferecermos os nossos louvores.

A ênfase na adoração bíblica e nos elementos que constituem um culto rico e transformador tem sido substituída, em anos recentes, por aquilo que é superficial. A substância tem sido trocada por aquilo que é a sombra. O conteúdo foi lançado fora, para dar lugar ao estilo. O significado foi banido, o método tomou-lhe o lugar. O culto talvez pareça correto, mas traz consigo pouco valor espiritual.

Essa tendência talvez seja mais evidente em uma área muito íntima ao meu coração — o ensino da Palavra de Deus. Os exemplos mais óbvios são igrejas que menosprezam francamente a Bíblia e o ensino do seu verdadeiro significado, ao mesmo tempo que enfatizam o ritual e a tradição.

No entanto, esse é um exemplo muito fácil de citarmos. O que podemos dizer sobre as igrejas evangélicas, conservadoras que tomaram um caminho um pouco diferente, mas igualmente perigoso?

Os cultos, que antes centralizavam-se no ensino da Bíblia, têm sido substituídos por entretenimento ostentoso e mini-sermões. A luz das Escrituras tem sido perdida e em seu lugar há luzes de shows e efeitos especiais. A presença do pastor no palco é mais examinada do que o seu sermão. O tempo que antes era reservado ao ensino do pastor tem sido reduzido a alguns desprezíveis minutos de humor e bate-papo. Isto parece uma coluna decorativa que não suporta muito peso e nunca alcança o teto.

As ordenanças constituem outra área que foi deixada de lado nos cultos. Por ordenanças, eu me refiro ao batismo em água e à Ceia do Senhor — a comunhão. A Bíblia é clara. O batismo e a comunhão são integrais à vida da igreja e devem ter um papel elevado na adoração.

Mas algumas igrejas abandonaram completamente o batismo e a Ceia do Senhor, relegando-as aos cultos do meio da semana, quando provavelmente ofendem menos os incrédulos. Além disso, o significado do batismo e da Ceia do Senhor raramente é ensinado; e isto os condena à morte lenta nas mãos da obscuridade e da negligência.

Talvez você fique surpreso com a outra área que perdeu muito do seu significado na adoração. É um assunto sobre o qual não falo com freqüência, mas tem sido vital à minha igreja e ao seu ministério. Creio que a música tem perdido o seu devido lugar na adoração e tornou-se uma coluna ornamental. Em vez de nos conduzir a uma resposta ativa e pessoal à verdade de Deus, a música se tornou um barulho de segundo plano cujo objetivo é manter-nos ocupados, enquanto os pratos de coleta são passados. Em vez de elevar nossos pensamentos a respeito de Deus, além do nível que podemos fazê-lo sozinhos, a música se tornou uma rotina sem significado que raramente observamos. Em vez de desprender nos das pompas da vida diária e de atrair nossos pensamentos para o alto, a música se tornou um intervalo colocado antes da pregação. Em vez de glorificar a Deus, a música se tornou um estimulante para o ego de alguns cantores. Em vez de envolver nossas mentes na verdade a respeito de quem Deus é e do que Ele tem feito, a música é um carrossel emocional onde subimos e descemos quando queremos.

Mas o segredo de tornarmos mais significativa a música da adoração é uma questão de escolhermos músicas antigas e/ou músicas de estilo diferente? Não necessariamente. Martinho Lutero disse que a música é um servo criado e outorgado por Deus. Lutero estava correto. A música em si mesma — as notas, os sons, o ritmo — é apenas um instrumento para ajudar-nos a transmitir a verdade. Enquanto o estilo não contradiz nem obscurece a verdade, e a mensagem está correta, a música é uma questão de preferência.

O verdadeiro âmago da música é o seu significado — é a verdade contida em sua melodia. A verdade é a fonte da qual jorra toda a verdadeira adoração. A verdade é aquilo que torna a música uma coluna de sustentação e não apenas um ornamento na igreja. Quando a nossa música está fundamentada na verdade, ela eleva nossos pensamentos a Deus; impulsiona nosso coração em direção ao céu, de um modo que nenhuma outra coisa pode fazê-lo. A música nos emociona e, ao mesmo tempo, escava profundamente o solo empedernido de nosso coração. Acima de tudo, a música nos faz deixar de olhar para nós mesmos e atribui a glória a Deus. A música eleva nossa consciência da santidade de Deus e intensifica tanto o nosso senso de completa indignidade como o nosso senso de desventura.

Certamente, a música pode e deve produzir emoções. No entanto, as emoções devem surgir em resposta à verdade, e não ao custo da verdade. Por si mesmas, as emoções nunca se qualificam como adoração.


Tenho receio de que, enquanto não reconhecermos o devido lugar da música e nos treinarmos para escolhê-la e utilizá-la com cuidado, a música permanecerá como nada mais do que um simples ornamento, contribuindo muito pouco para a edificação da igreja. E o que é pior: teremos perdido o verdadeiro poder que a adoração tem a oferecer — o poder que transforma nossas vidas e nos atrai a maior intimidade com Deus.

Pr.

John MacArthur



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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Definindo Adoração


Vivemos em dias em que a adoração está em alta. Há muitos grupos musicais de adoração nascidos de ministérios de louvor das igrejas locais e comunidades evangélicas. Poderíamos citar o ministério Diante do Trono, o ministério Koinonia e o grupo Toque no Altar. Por conta da facilidade de registro áudio visual conseguida pelas novas tecnologias, com algum dinheiro, certo talento e muito ensaio é possível desenvolver programações de adoração musical no mesmo nível técnico em que os artistas seculares realizam seus eventos.

Muito se tem investido na área da adoração na igreja evangélica brasileira. Sabe-se que o orçamento para compra de instrumentos musicais, aparelhagem de som e recursos eletrônicos é sempre muito alto, isso sem levar em conta que o processo de formação de um músico sempre é bastante dispendioso. É certo que o investimento em música na Igreja não é grande na maioria dos Templos, mas os grupos de que cantamos as músicas em nossas igrejas e que se tornaram os mais influentes do cenário evangélico brasileiro, gastam milhões de reais na sua produção.

Uma pergunta precisa ser feita diante deste fato: será que todo esse investimento, toda essa variedade de estilos musicais, estilos para todos os gostos, toda essa multidão de grupos de adoração, será que toda esta febre de adoração tem agradado verdadeiramente o Deus Supremo que se propõe a adorar?

Um bom exemplo de uma possível inconsistência entre realizar intrincadas programações religiosas e não agradar a Deus é o exemplo dos judeus que viveram no tempo de Jesus. Eles dispensavam a responsabilidade de um filho de amparar seus pais na velhice destes se os filhos alegassem que estavam dando uma oferta ao templo. Jesus reprovou aquela prática, citando o profeta Isaías: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mt 15.8)”.

Outra pergunta, ainda mais instigante, que deve soar como uma nota estridente e alucinante em nossos ouvidos, é “será que minha adoração tem agradado a Deus?”.

É muito fácil apontar este ou aquele colega evangélico e dizer “isso não é adoração, desse jeito parece mais uma banda de forró do que um grupo de louvor”. É muito fácil comentar a respeito de uma música na igreja: “Esta música é muito parada, o culto parece mais um velório, não tinha uma música mais bonita para escolherem!?”.

Difícil é fazer a mesma crítica para si mesmo: “Será que meu coração não tem sido irreverente para com o meu Deus?”. “Será minhas emoções e meus pensamentos não estão no lugar errado enquanto eu adoro?”. “Será que eu não tenho tratado o Senhor de modo imoral e descompromissado?”. “O louvor morreu ou eu nunca desenvolvi a sensibilidade necessária para ouvir a voz de Deus na brisa do vento e não no trovão da tempestade?”.

O tema a ser desenvolvido nesta conferência é “Deus procura verdadeiros adoradores”. Acho muito interessante este tema, porque enfatiza quem é o centro da adoração.

Para iniciarmos o nosso estudo, vamos definir o que é adoração. Usamos freqüentemente a palavra louvor e a palavra adoração referindo-se aos cânticos que entoamos em parte do nosso culto. Não os cânticos não sejam um modo de adoração, mas devemos considerar que a adoração não se limita apenas aos cânticos.

O nosso plano procurará responder às seguintes perguntas:

1. O que é adoração?

2. Como podemos adorar a Deus?

3. Onde nós podemos adorar?

Hoje, procuraremos responder a primeira pergunta: “O que é adoração?”. Para esta pergunta, achamos nas Escrituras duas importantes respostas.



I. Adoração é reconhecer a superioridade do Deus Santo.

a) Na Bíblia, dois verbos do NT demonstram este significado da adoração.

i) Um dos verbos significa, literalmente, “diante como cão”. É usado quando alguém se abaixa diante de alguma autoridade e especialmente diante de Deus como um ato de adoração. Este verbo é uma expressão de reverência e respeito. Ele também é usado quando alguém suplica algo em seu favor.

ii) O outro verbo significa cair, descender ao chão ou de uma posição ereta. É usado como um par perfeito do verbo anterior, fazendo o conjunto “prostrar e adorar”.

b) Vejamos alguns exemplos de adoração no NT, que ilustram como adorar é reconhecer a superioridade de Deus.

i) Os magos vieram do Oriente para adorar o recém nascido Rei dos judeus (Mateus 2.1-2,9-11).

ii) Jesus não adorou Satanás, porque só Deus merece ser adorado (Mateus 4.8-10).

iii) Os seres celestiais que vivem diante de Deus estão em constante adoração (Apocalipse 5.8-10).

c) Adorar é agir de acordo com a realidade. Deus é Deus e diante dele eu sou nada. Não existe adoração enquanto reside em nosso coração o engano de que temos qualquer valor, direito, dignidade ou qualquer crédito diante do Deus santo.

i) A frivolidade, a descontração e a camaradagem com que nos tratamos uns aos outros não é adoração quando nós dirigimos esta mesma atitude para com Deus.

ii) Deus não é obrigado a nos aceitar se de modo desrespeitoso chegarmos para adorá-lo (Lv 10.1-3).

d) Dizem que aquele ato cavalheirismo de jogar a capa para que uma dama passe sem sujar os pés foi inaugurado por um navegante aventureiro do século XVI que queria fazer um galanteio a Elisabete I, que não era casada. Quando ela estava passando pela rua, ele estendeu seu manto no chão e disse à rainha: “Para que minha rainha não suje seus pés na lama das ruas!”.

e) Creio que, como perdemos visão da realeza e da majestade nas pessoas, perdemos também a visão da majestade do nosso Deus.

i) Tratamos o Senhor como tratamos qualquer um e talvez pior do que as autoridades segundo a carne que temos entre nós.

ii) Foi o teólogo John Stott que escreveu no livro “A cruz de Cristo” que “antes de gritarmos um confiante ‘Aleluia!’, é necessário que clamemos humildemente ‘Ai de mim! Estou perdido!’”.

f) É fato que Deus procura verdadeiros adoradores. O que é, porém, verdadeira adoração? Se Deus deseja ser adorado, que adoração seria esta?

i) A adoração é, primeiro, o reconhecimento da superioridade do Deus Santo. É quedar-se diante da sua glória, do seu grande poder e do seu amor infinito. A adoração não tem nada a ver com nossos talentos, nossas emoções nem com o crescimento numérico de nossas igrejas. A adoração não tem a ver com uma música que me seja mais agradável, bonita ou acessível.

ii) A adoração tem a ver com os atributos divinos, com o prazer de Deus e com o crescimento espiritual que estreita o nosso relacionamento com ele. A adoração tem a ver com uma música reverente e alegre que nos transporte a sala do trono do Grande Rei e que nos faça prostrar as almas diante dele.

g) Vimos, portanto, a primeira parte do nosso conceito de adoração. Adoração é reconhecer a superioridade do Deus Santo. A segunda responda a pergunta “o que é adoração?” é que...

II. Adoração é servir a Deus como Senhor

a) Passagens bíblicas

i) A profetisa Ana, viúva por muitos, anos servia a Deus, noite e dia, com jejum e súplica (Lc 2.36-38).

(1) O verbo traduzido pelo verbo adorar da nossa língua significa originalmente servir.

(2) Num sentido geral, seria servir por salário, como qualquer trabalhador.

(3) Num sentido específico, este verbo fala de alguém que presta um serviço religioso, que tem um ministério dentro de um templo, que traz ofertas e dons num culto ou que exerce uma função ordenada, como a do sacerdote.

ii) O culto como serviço é também encontrado nos escritos de Paulo (Rm 12.1).

(1) Uma linguagem de adoração é usada neste versículo.

(2) As Escrituras encorajam os cristãos a apresentarem-se como uma vítima a um sacrifício.

(3) Este sacrifício é realizado por meio das misericórdias de Deus. Só possível adorar o Deus verdadeiro pela sua própria graça e favor.

(4) Os nossos corpos é que são a oferta a ser entregue. Este sacrifício é diferente, porque não envolve a morte literal, mas uma entrega da própria vida para Deus.

(5) Além de vivo, o sacrifício é santo e agradável a Deus. Ele está livre das impurezas do pecado e agrada a Deus, isto é, dá prazer a Ele.

(6) O culto como serviço é caracterizado como racional ou espiritual como pode ser entendido também. O culto é realizado na entrega de nossas vidas a Deus, dos nossos corpos, mas ele é primordialmente espiritual, lógico e não afetado pelas emoções ligadas ao corpo.

iii) João viu os mortos da tribulação adorando Deus em seu estado redimido final. A expressão da adoração daquele grupo de fiéis é o serviço (Apocalipse 7.13-17).

b) Portanto, de modo simples e objetivo podemos dizer que adorar é servir.

i) Servir para nós é muito humilhante. É algo apropriado para quem é pobre, para quem não tem inteligência, para quem não foi esperto, para quem não teve competência para ter um emprego melhor e para quem faz parte de uma raça inferior. Valorizamos pessoas que se vestem bem, que não realizam trabalho braçal e que possuem algum cargo de chefia.

ii) Os valores cristãos são completamente diferentes. O Senhor deixou claro que é um privilégio servir nossos semelhantes, que este deve ser o grande ideal buscado por todos os seus discípulos. Aquele que quisesse ser o maior, deveria ser o menor e servir aos seus irmãos. Jesus não aboliu as funções de liderança nem o respeito que se deve prestar às pessoas que exercem a liderança, mas Jesus aboliu a arrogância de alguém que não deseja servir com humildade os outros por se achar superior aos outros, por causa da função que exerce.

iii) Esse desprezo pelo serviço muitas vezes é transferido para a adoração. O invés de termos servos no templo que estão ali para realizar um trabalho para Deus, temos clientes que estão nos templos para serem servidos.

(1) Temos pessoas que vieram a um restaurante e querem ser bem alimentados, atendidos com rapidez, serem bem tratados, sem se levantar da mesa e precisa realizar qualquer trabalho.

(2) O culto deveria ser uma refeição diferente. Uma refeição familiar em que cada membro da família já realizou a sua parte na tarefa de preparar a refeição. Uns servem aos outros com alegria e se agradam que os outros e não a si mesmo estão sendo bem alimentados.

c) Pensando na adoração como serviço, podemos dizer o seguinte.

i) Adorar não é somente estar dentro do templo bem arrumado, atento a programação, participando dela com cânticos, leituras e anotações.

ii) Quando somos escalados para fazer qualquer serviço na Igreja a fim de tornar o culto possível, nós estamos adorando Deus.

iii) Quando em casa fazemos qualquer tarefa para trazer os membros da família para o culto, nós estamos adorando a Deus.

d) Aliás, nós poderíamos dizer que nossa adoração deve incluir mais do que as disciplinas espirituais como a leitura da palavra e a oração. A nossa adoração deve incluir o meu serviço e meu serviço deve ser realizado para Deus como um ato de adoração.

i) Deste modo, a minha perspectiva do que faço na Igreja pode ir muito mais longe do que o ato imediato de servir.

ii) Provavelmente você tenha ouvido a História do homem que fez uma pergunta parecida a dois trabalhadores da mesma obra.

iii) A diferença entre os dois era que eles tinham uma visão diferente do trabalho que faziam. Um enxergava somente seu trabalho imediato. O outro enxergava além do que ele podia ver diante dos olhos.

iv) Do mesmo modo nós, quando estivermos realizando um serviço na Igreja de Deus, vamos colocá-lo na visão certa. Adorar é servir. Tudo que fazemos na Igreja deve ser um ato de adoração ao nosso Deus.



Deus procura verdadeiros adoradores. A adoração verdadeira precisa ser definida à da verdade revelada nas Escrituras. Adorar é reconhecer a superioridade do Deus Santo e servi-lo como um servo ao seu senhor.

Devemos nos perguntar nesta noite se somos os adoradores que Deus procura naquele perfil de verdadeiros adoradores. Será que somos adoradores que adoram o Senhor com adoração verdadeira? Será que nossa adoração é reverente, sendo o reconhecimento humano da superioridade do Deus Altíssimo? E mais: quando chegamos para adorar, somos clientes ou somos garçons, somos servos ou somos senhores?

Creio que o estilo de adoração mais difundido da atualidade é o estilo de adoração em que o ambiente do culto é totalmente descontraído, informal, de diversão e de uma grande festa em que se celebram os deuses do prazer e da loucura. Além disso, o estilo de culto tem se direcionado para atender às necessidades dos adoradores. Os adoradores é que são servidos naquilo que eles precisam e se sentem abençoados quando são curados, quando tem sua situação familiar resolvida, quando conseguem livrar suas contas do vermelho.

Infelizmente, podemos afirmar que o estilo de culto de muitas Igrejas Evangélicas Brasileiras não tem nada a ver com a adoração bíblica centralizada em Deus e realizada mediante o respeito e o serviço dos adoradores. Esta mensagem, porém, não diz respeito ao outro, mas diz respeito a mim. Será que eu na tenho sido irreverente? Será que tenho agido como o cliente vip da igreja e não quero me envolver no trabalho? Será que eu sou um verdadeiro adorador?

Façamos estas perguntas às nossas almas nesta noite e que Deus derrame sua graça em nós de forma que sejamos transformados à imagem do seu Amado Filho.

Pr. Renato Brito,

Mensagem apresentada na 2ª conferência Adorando com Entendimento da Igreja Batista Bíblica do Planalto em Fortaleza, CE, e na EBD da Igreja Batista Regular de Novo Juazeiro, Juazeiro do Norte-CE.

http://violabrito.blogspot.com/

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quando Deus Quer.....

Certo dia, durante a programação de uma emissora, ligou para a rádio uma senhora que estava passando por momentos muito difíceis. Aproveitando aquela oportunidade, ela resolveu fazer seu apelo e disse: - Estou passando por uma grande prova. O desemprego bateu à minha porta, tenho filhos pequenos, meu esposo está fazendo alguns serviços extras, porém, a renda não é suficiente. Se algum irmão puder me ajudar com qualquer alimento, eu ficaria muito grata; aquilo que DEUS tocar em seu coração, eu agradeço e será de grande ajuda. E ali ela aproveitou para dar seu endereço.

Entretanto, no momento desse apelo, um homem ateu estava ouvindo a programação e disse: - É hoje que eu mostro que Deus não se importa com ninguém! Então, ele se dirigiu para o mercado e fez toda aquela compra. De tudo comprou, e em dobro. Chegou em casa e disse para as duas pessoas que trabalhavam com ele: - Vocês vão até à casa desta senhora. Vão entregar esta compra e, quando ela perguntar quem mandou, vocês vão dizer que foi o diabo. O diabo é quem está enviando esta compra.

Os dois homem seguiram rumo à casa da senhora. Bateram palmas e ela, humilde, atendeu. Eles disseram: - Viemos trazer esta compra para a senhora. -Entrem, por favor. Vão colocando aqui... E ali descarregaram tudo. E a senhora disse: -Que Deus abençoe. Muito obrigada, muito abrigada mesmo! E os dois homens pararam, olharam um para o outro e sussurraram: -Será que ela não vai perguntar quem mandou a compra? E o outro respondeu: - Não sei... estranho, né? Então o primeiro, com todo o seu atrevimento, perguntou: -Ei, você não vai perguntar quem mandou esta compra?

E a senhora, com muita sabedoria, respondeu: - Não, porque quando DEUS quer, até o diabo obedece.....


O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.Sl 103: 19

Servindo com Alegria,
Henrique Prudêncio.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?




Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela?

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: “Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação.

Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!” Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificaivos!”

Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram:

“Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”.

Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

por

Charles H. Spurgeon



Servindo Com Alegria,
Henrique Prudêncio

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