O BRASIL NAS MÃOS DE DEUS: ORANDO, VIGIANDO E CONFIANDO

“… segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade. (Efésios 1.11)
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A situação estava realmente tensa. No dia 12 de agosto de 1807, Antônio Araújo de Azevedo, ministro dos Estrangeiros de Portugal, recebera um ultimato do imperador francês, Napoleão Bonaparte ordenando que o príncipe regente, D. João VI, fechasse imediatamente seus portos aos navios ingleses, prendesse todos os cidadãos ingleses residentes em Portugal e confiscasse seus bens. Caso contrário, Portugal seria invadido pelos franceses. D. João realmente estava entre a cruz e a espada, pois, ao saber do ultimato do imperador francês, a Inglaterra advertiu ao governante português que, caso ele cedesse à exigências de Napoleão, os navios portugueses ancorados no Rio Tigre, no Golfo Pérsico, seriam destruídos e o Brasil seria invadido.
D. João resolveu tomar a decisão de firmar com a Inglaterra o Tratado de Aliança e Amizade e o Tratado de Comércio e Navegação e transferir sua corte para o Brasil. Era algo nunca visto na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Ao invés de ser destronado ou obrigado a se refugiar, como acontecia com outros reis e rainhas em tempos de guerra, o príncipe regente, D. João, cruzou o oceano junto com toda família real, para viver e reinar à distância.

Foi assim que, tentando escolher o que a longo prazo seria melhor para Portugal, D. João mudou a corte portuguesa para o Brasil, chegando à Bahia no dia 22 de janeiro de 1808. E, somente uma semana depois, no dia 28 de janeiro de 1808, decretou a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Desse modo, estava liberada a importação de muitos produtos que não existiam no Brasil, entre eles os livros, que agora poderiam ser traduzidos e vendidos livremente. Essa decisão histórica abriu as portas para entrada da Bíblia no Brasil.
O Tratado de Aliança e Amizade (19/02/1810) foi interessante para a história religiosa do Brasil, pois seu artigo 90 afastava a possiblidade da vinda da Santa Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício para o Brasil. Logo após a assinatura do Tratado, os ingleses começaram a celebrar o culto protestante nos navios ancorados nos portos do Rio de Janeiro. O evangelho começava a se fazer presente no Brasil. Em 3 de agosto de 1812 desembarcou no Rio de Janeiro o ministro eclesiástico da Inglaterra. Essa era uma indicação de que as portas estavam abertas para missionários ingleses, americanos, suecos, holandeses, escoceses e alemães. Foi assim que no dia 26 de maio de 1822, antes mesmo da proclamação independência, foi inaugurado o primeiro edifício erguido para culto protestante no Brasil, após a expulsão dos holandeses em 1654. A partir desse ponto, um fenômeno interessante vai acontecer, diferente do que se dera no restante da América Latina: a Bíblia, um livro proibido durante o Brasil colônia, torna-se uma das obras mais lidas no tempo do Brasil Império. Por meio de uma corte católica, contra a vontade das autoridades eclesiásticas, a fé bíblica cria raizes no Brasil e continua crescendo desde aquele tempo.

Os fatos inusitados e surpreendentes da história trouxeram à existência essa grande e diferente nação, com suas características peculiares que fazem do Brasil um poderoso e promissor instrumento nas mãos de Deus, o Rei dos Reis. É por isso que, contra todas as possibilidades, esse país que “tinha tudo para dar errado” deu certo. Perfeitamente? Claro que não. Mas deu certo em muitos aspectos, especialmente na composição do seu povo miscigenado, hospitaleiro e amável, que ganhou a simpatia do mundo.

Tudo isso deve acalmar nosso coração durante esse tempo crítico de eleições presidenciais. É fácil perceber na história do Brasil que Deus tem algo especial a fazer por meio de nós. Deus não abdicou do Seu controle sobre o Brasil. As próprias possibilidades políticas atuais indicam que “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Provérbios 16.1).
Acima de tudo, é tempo de clamar ao SENHOR em favor da nossa pátria amada. O SENHOR promete ouvir o Seu povo e sarar a sua terra (2 Cr. 7:14). Se cada argumentação política ou opinião emitida pelos crentes durante essa campanha fosse acompanhada de uma oração pelo Brasil, nossa situação seria diferente. Precisamos orar pelo Brasil. A oração realiza muito mais que o debate.

Mas, enquanto oramos, não esqueçamos de vigiar. O povo de Deus precisa ter cuidado para não desgastar suas paixões e consumir suas emoções na defesa desse ou daquele candidato. Embora tenhamos nossas convicções e devamos ser capazes de defendê-las por meio de parâmetros bíblicos, não devemos abraçar tais preferências como se a vida do país estivesse nas mãos de um dos candidatos. É sempre lamentável que pessoas apáticas quanto à prática e à pregação do Evangelho, em tempos de campanha politica, sejam tão fervorosas na defesa dos seus candidatos. Nossa esperança não está no governo, mas o SENHOR.

As palavras do profeta Isaías são de importância capital nesse momento: “Com minha alma suspiro de noite por ti e, com o meu espírito dentro de mim, eu te procuro diligentemente; porque, quando os teus juízos reinam na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.” (Isaías 26.9). Meu desejo é que nesses dias de eleições nossa alma suspire pelo SENHOR, buscando em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça. Menos emoção e mais oração! Essa é a fórmula ideal para atravessarmos esses dias difíceis.
A serviço do Mestre,
Pr. Jenuan Lira
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